Esvaziada, Eliziane patina e pode perder a reeleição
Desgaste com eleitorado evangélico e isolamento político dificultam projeto eleitoral da parlamentar
A senadora Eliziane Gama (PT) vive o momento político mais delicado desde que chegou ao Senado Federal. Faltando poucos meses para as eleições de outubro, o cenário é cada vez mais desfavorável para o projeto de reeleição da parlamentar, que vê sua base política encolher e as possibilidades de integrar uma chapa competitiva praticamente desaparecerem.
Um dos principais fatores apontados por aliados e analistas é o desgaste junto ao segmento evangélico, decisivo para sua vitória em 2018. Nos últimos anos, a senadora perdeu parte desse eleitorado, reduzindo significativamente um dos pilares de sua sustentação política.
Ao mesmo tempo, Eliziane também ficou isolada nas duas principais frentes da disputa pelo Governo do Maranhão. Ela foi descartada do grupo liderado pelo pré-candidato Eduardo Braide, que optou por outros nomes para compor sua chapa majoritária, e ficou de fora também da base política de Orleans Brandão, onde também não encontrou espaço para viabilizar sua candidatura ao Senado.
A expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pudesse fortalecer sua campanha, por meio de manifestações públicas e participação na eleição maranhense, até o momento não se colhe resultados esperados. Com isso, a estratégia de depender da força eleitoral do presidente perdeu parte do impacto inicialmente imaginado.
O cenário torna-se ainda mais complicado porque um dos nomes que poderia impulsionar sua candidatura, o pré-candidato do PT ao Governo do Maranhão, Felipe Camarão, enfrenta dificuldades para consolidar seu próprio projeto eleitoral. Além das divisões internas do partido, uma parcela significativa de lideranças petistas segue alinhada ao grupo de Orleans Brandão.
Nos últimos dias, o ambiente político ficou ainda mais conturbado com a divulgação da aproximação do deputado federal Rubens Pereira Júnior, vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, ao projeto político de Eduardo Braide. O movimento foi interpretado como mais um sinal das dificuldades enfrentadas pelo campo de Camarão para manter unidade no estado.
É nesse ambiente de disputas internas, mudanças de posicionamento e fragmentação política que Eliziane Gama vê sua candidatura perder força. Sem uma chapa competitiva, distante dos principais grupos políticos e com dificuldades para recompor sua base eleitoral, a senadora chega à pré-campanha em situação considerada extremamente desfavorável, fazendo crescer entre observadores da política maranhense a avaliação de que sua permanência no Senado, a partir do próximo ano, tornou-se uma missão cada vez mais difícil.