Eleitorado acima de 60 anos cresce 74% e ganha peso nas eleições de 2026
Pesquisa mostra avanço da “geração prateada” e queda na abstenção entre idosos
O número de eleitores com mais de 60 anos no Brasil cresceu 74% nos últimos 16 anos, segundo levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral. O avanço é significativamente maior do que o crescimento do eleitorado geral, que foi de 15% no mesmo período.
Em números absolutos, a chamada “geração prateada” passou de 20,8 milhões de eleitores em 2010 para 36,2 milhões em 2026. O total de brasileiros aptos a votar também cresceu, chegando a 156,2 milhões, contra 135,8 milhões há 16 anos.
De acordo com o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esse público tende a ter papel cada vez mais relevante nas eleições. “É plausível afirmar que a população 60+ pode ser decisiva, especialmente em cenários equilibrados”, destacou.
Atualmente, os eleitores com mais de 60 anos representam cerca de um em cada quatro votantes no país. O crescimento acompanha o envelhecimento da população brasileira, que viu a participação dessa faixa etária saltar de 7% para 16% nas últimas três décadas.
Queda na abstenção entre idosos
Outro dado relevante do levantamento é a redução da abstenção entre eleitores mais velhos. Entre 2014 e 2022, o índice caiu de 37,1% para 34,5%. Já entre os maiores de 70 anos, grupo para o qual o voto não é obrigatório, a abstenção também diminuiu, passando de 63,6% para 58,9% no mesmo período.
Enquanto isso, a abstenção geral do eleitorado brasileiro apresentou leve alta, subindo de 19,4% em 2014 para 20,9% na última eleição. Segundo Tokarski, o comparecimento dos eleitores mais velhos tende a estar ligado à convicção e ao engajamento político. Ele ressalta que, ao lado dos jovens entre 16 e 18 anos, esse grupo pode ter papel estratégico em disputas acirradas.
Com prazo de cadastro aberto até maio, a expectativa é que o número de eleitores ainda cresça, reforçando o peso da população idosa no cenário eleitoral brasileiro.