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Entenda como funcionava seita que usava droga para cavalos que matou mulher

Ceita era liderada por mãe e irmão da vítima, que acreditavam ser Maria e Jesus Cristo

Uma mulher identificada como Djidja Cardoso morreu por após uso de cetamina, droga utilizada como anestésico para cavalos. A droga era usada como forma de "elevação espiritual" por uma seita  um denominada "Pai, Mãe e Vida", liderada pela mãe e irmão da vítima. A mulher foi encontrada morta em sua casa, em Manaus (AM), no dia 28 de maio deste ano.

Djidja era empresária e ex-sinhazinha do Boi Garantido, figura central na história do boi-bumbá, festa tradicional do folclore brasileiro, popular nas regiões Norte e Nordeste do país. Com sua morte, a polícia prendeu sua mãe e irmão, identificados como Cleusimar e Ademar Cardoso, além de três funcionários da família.

Foto: Reprodução
Djidja Cardoso participava de seita que fazia uso de cetamina para elevação espiritual

De acordo com informações da Polícia Civil, o caso estava sendo investigado há 40 dias e apontou que Djidja Cardoso também fazia parte do esquema da seita. A cetamina era utilizada de forma indiscriminada em rituais religiosos da família e seus membros obrigavam vítimas a fazerem uso da droga para alcançar um suposto estado de plenitude espiritual, transcendendo a outra dimensão e atingindo a "salvação". As investigações apontam ainda que vítimas do grupo foram submetidas a violências sexuais e que a ex-namorada de Ademar foi submetida a um aborto não consentido.

A polícia diz que Verônica Costa, gerente de um salão de beleza de Djidja, era responsável por realiza a compra ilegal da Cetamina em um hospital veterinário. Ela tinha apoio dos funcionários da família, identificados como Marlisson Vasconcelos e Claudiele Santos. Eles também eram responsáveis por administrar o uso da droga para as vítimas do grupo, além de tentar convencer outros funcionários e pessoas próximas à família a fazerem o uso da substância e se associarem à seita. Os três envolvidos foram presos por ordem judicial.

Ainda segundo a investigação, a família de Djidja possuía a crença de que eram a reencarnação de figuras cristãs. Cleusimar, mãe da vítima, seria Maria, mãe de Jesus. Ademar seria a reencarnação de Jesus Cristo, enquanto Djidja seria Maria Madalena.

Os rituais eram realizados dentro dos salões de beleza e residências da família. Nos locais foram encontrados ampolas de cetamina, seringas e agulhas. As substâncias foram apreendidas nos dias 30 e 31 de maio.

Em suas redes sociais, Djidja se apresentava como uma líder religiosa em potencial, dizendo poder ajudar pessoas a "sair da Matrix" e atingir um "plano superior". "Saia da Matrix e venha viver esse amor em ‘Uno’ comigo! Me manda um direct se você estiver perdido em sua trajetória existencial, se quiseres respostas que nunca conseguiram te dar, eu posso te ajudar", disse a ex-sinhazinha em uma publicação.

Cleusimar filmava vídeos onde aparecia sob efeito da droga junto a seus filhos. Em um deles, Ademar e Djidja aparecem paralisados por longos minutos, com dificuldades motoras e na fala. A mãe se filmava na frente do espelho enquanto mostrava furos de aplicação da droga em si e nos filhose e o frasco da quetamina utilizado.

O grupo responderá judicialmente por tráfico de drogas, associação para o tráfico, por colocar em risco a saúde ou a vida de terceiros, falsificação, corrpção, adulteração de produtos destinados a fins terapêuticos e medicinais, aborto induzido sem o consentimento da gestante, estupro de vulnerável, charlatanismo, curandeirismo, sequestro, cárcere privado e constrangimento ilegal.

A causa da morte de Djidja foi apontada como um edema cerebral que afetou o funcionamento de seu coração e sua respiração devido o uso da cetamina.

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