Governo Lula anuncia reação ao tarifaço dos EUA; veja os detalhes!
Pacote prevê crédito, apoio às empresas, novos mercados e medidas diplomáticas e jurídicas
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (16) um pacote de medidas para responder à tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras. A estratégia reúne ações de apoio às empresas, ampliação de crédito, abertura de novos mercados, atuação diplomática e medidas jurídicas.
Segundo o governo, a prioridade será reduzir os impactos sobre empresas, trabalhadores e cadeias produtivas, sem adotar retaliação imediata aos Estados Unidos.
Durante coletiva no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o vice-presidente Geraldo Alckmin informou que será criado um programa específico para os setores afetados. Entre as medidas estão a ampliação do Plano Brasil Soberano, novas linhas de financiamento, reforço das ações de promoção comercial e aceleração da abertura de mercados internacionais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo dispõe de instrumentos para preservar empresas e empregos. Segundo ele, representantes dos setores atingidos participarão de reuniões para definir medidas específicas para cada segmento.
O MDIC informou que o apoio inicial será direcionado aos setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Na frente jurídica, Alckmin afirmou que o governo poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica e voltar a contestar as tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC), sob o argumento de que a medida americana viola regras do comércio internacional.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo realizou mais de 30 contatos com autoridades americanas desde março de 2025. Segundo ele, o Brasil apresentou propostas formais, participou das consultas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e continuará buscando uma solução por meio do diálogo.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também respondeu às críticas dos Estados Unidos ao Pix. Segundo ele, o sistema é uma infraestrutura pública disponível para todas as instituições financeiras, não substituiu outros meios de pagamento e continuará gratuito para pessoas físicas. Galípolo afirmou ainda que mais de 47 autoridades monetárias internacionais estudam o modelo brasileiro.
Dados apresentados pelo MDIC indicam que, com base na pauta exportadora de 2024, cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras seriam atingidos pela nova tarifa. Considerando os números de 2025, o valor seria de aproximadamente US$ 5,8 bilhões. O governo destacou que cerca de 57% das exportações brasileiras para os Estados Unidos permanecerão sem novas tarifas, enquanto outros 24% já estavam sujeitos a medidas específicas.
Durante a coletiva, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, rebateu críticas ambientais apresentadas pelos Estados Unidos e afirmou que toda a madeira exportada pelo Brasil possui certificação e fiscalização. Na área institucional, a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães, disse que o governo enviou informações sobre as políticas de combate à corrupção, mas que os esclarecimentos não foram considerados na investigação americana.
Segundo o governo, das 78 manifestações apresentadas durante a consulta pública conduzida pelo USTR, 63 foram contrárias à imposição das novas tarifas. A equipe do governo informou que continuará acompanhando os efeitos da medida e poderá adotar novas ações comerciais, diplomáticas e jurídicas conforme o andamento das negociações.