Moraes revoga autorização para assessor de Trump visitar Bolsonaro
Itamaraty apontou possível ingerência externa e motivou nova decisão do STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decidiu revogar a autorização que havia concedido para que um assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.
A decisão foi tomada após manifestação do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), que alertou para a possibilidade de o encontro representar uma interferência indevida em assuntos internos do Brasil, especialmente por ocorrer em ano eleitoral.
O pedido de visita havia sido feito pela defesa de Bolsonaro, que solicitou autorização para que Darren Beattie, assessor do governo norte-americano responsável por políticas relacionadas ao Brasil, pudesse se reunir com o ex-presidente. Inicialmente, Moraes chegou a autorizar a visita para o dia 18 de março, em data diferente da solicitada pela defesa.
Posteriormente, os advogados de Bolsonaro pediram que o encontro fosse antecipado para segunda-feira (16), alegando que Beattie participaria de um evento sobre terras raras e minerais críticos em São Paulo na data anteriormente autorizada.
Diante do novo pedido, Moraes solicitou informações ao Itamaraty sobre a agenda oficial do assessor norte-americano no país. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores informou que a visita à prisão não fazia parte da programação diplomática apresentada para a concessão do visto de entrada no Brasil.
Em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Itamaraty destacou que a visita de um representante de um governo estrangeiro a um ex-presidente brasileiro preso poderia ser interpretada como interferência em questões internas do país.
Após a manifestação, Moraes decidiu cancelar a autorização e afirmou que o encontro solicitado pela defesa de Bolsonaro não estava relacionado aos objetivos diplomáticos informados no momento da concessão do visto ao assessor norte-americano.