PF prende Vorcaro pela segunda vez por organização criminosa no Banco Master
Terceira fase da Operação Compliance Zero apura ameaças, corrupção e lavagem de R$ 22 bilhões
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (04/03) em São Paulo, durante a 3ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A ordem de prisão partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que também autorizou o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
As investigações apontam para a existência de uma organização criminosa estruturada há pelo menos uma década, com atuação sistemática para explorar brechas no mercado de capitais e nos mecanismos de regulação financeira do país. Os crimes investigados incluem lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças e invasão de dispositivos informáticos.
O que chama atenção no caso é a brutalidade dos métodos atribuídos ao grupo. Segundo a decisão do ministro Mendonça, Vorcaro teria mantido um grupo armado para intimidar adversários e autoridades, ordenado o monitoramento de desafetos e até simulado um assalto para agredir fisicamente um jornalista que publicava reportagens contrárias aos seus interesses. O STF também determinou o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.
No centro do esquema estaria a fabricação de carteiras de crédito inexistentes e a circulação de ativos podres para inflar artificialmente o patrimônio do banco e encobrir prejuízos. As fraudes estimadas chegam a R$ 23,7 bilhões. A situação levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025.
Esta é a segunda prisão de Vorcaro no caso. Em novembro do ano passado, ele foi detido no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para o exterior, mas acabou solto semanas depois, passando a responder ao processo com tornozeleira eletrônica. A nova prisão preventiva indica que as autoridades avaliaram que as medidas cautelares anteriores não foram suficientes.
Além de Vorcaro, o cunhado Fabiano Zettel e o ex-sócio Maurício Quadrado também estão entre os alvos da operação. A Reag Investimentos e seu fundador, João Carlos Mansur, figuram no inquérito por suspeita de conexão com o esquema criminoso. A defesa do banqueiro negou irregularidades e afirmou que segue colaborando com as autoridades.