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Presidenciáveis de direita defendem corte de gastos e revisão regulatória na CNI

Zema, Flávio Bolsonaro e Caiado apresentaram propostas para reduzir despesas públicas

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reuniu nesta segunda-feira (22), em Brasília, três pré-candidatos à Presidência da República para apresentar propostas voltadas ao crescimento econômico, responsabilidade fiscal e competitividade da indústria nacional.

Durante o fórum “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, a entidade entregou o documento “Construindo o Brasil 2050”, que reúne sugestões para ampliar investimentos, reduzir o custo Brasil e aumentar a produtividade da economia.

Na abertura do encontro, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o país precisa de uma política macroeconômica voltada ao crescimento sustentável, fortalecimento da indústria e melhoria do ambiente de negócios.

“Em nenhum momento essas políticas foram tratadas propriamente”, afirmou. “A revitalização da indústria é o caminho para alcançar a renda alta. A desindustrialização é um processo contínuo ainda.”

Segundo Alban, a proposta da entidade está baseada em três pilares: crescimento econômico sustentado, fortalecimento da política industrial e redução dos entraves regulatórios que afetam a competitividade nacional.

CNI propõe revisão de gastos e mudanças estruturais

Entre as medidas apresentadas pela indústria estão a revisão de indexadores automáticos de despesas públicas, mudanças em regras previdenciárias, contenção do crescimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), revisão de pisos constitucionais e o fim da obrigatoriedade de execução de emendas parlamentares.

A entidade também defendeu reformas tributárias complementares, ampliação de concessões de infraestrutura, fortalecimento do comércio exterior, harmonização das legislações trabalhista e previdenciária e modernização dos órgãos de fiscalização.

Zema defende privatizações e ajuste fiscal

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), concentrou sua apresentação na redução do tamanho do Estado e na adoção de medidas de austeridade fiscal.

“Choque de moral de credibilidade e ética, contra a gastança do Lula e do PT e contra a bandidagem. Nunca recebi um banqueiro bandido. Aqui em Brasília, é um acobertando o outro. Nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa vida dos intocáveis quanto eu. Os juros, o pior custo, só vão cair quando acabar essa gastança”, declarou.

Zema prometeu encaminhar reformas administrativa, previdenciária e de benefícios sociais.

“Farei reformas administrativa, previdenciária e de benefícios sociais. Estamos criando uma geração de imprestáveis. Bandidos não serão tratados com ‘buquê de rosas’.”

O pré-candidato também defendeu uma ampla agenda de concessões e privatizações.

“Eu vou privatizar tudo também. Não existe estatal vaca sagrada. Dá para valorizar muito as principais estatais com uma gestão boa e levá-las a mercado.”

Ao comentar o caso Banco Master, afirmou:

“O Banco Master só teve envolvimento com bancos estatais e fundos estatais, parece que o setor privado não se envolveu, mas aquilo que é do Estado está sempre sujeito. O setor privado pode contribuir muito com o setor público no Brasil.”

Flávio promete rever reforma tributária

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pretende suspender a regulamentação da reforma tributária caso seja eleito presidente da República.

“[Eu] vou suspender a regulamentação da reforma tributária. É para dar tempo de fazermos uma reforma tributária de verdade, com redução de carga tributária ao longo dos anos, previsibilidade e ajuste fiscal”, declarou.

Segundo ele, a regulamentação elevou a carga tributária prevista pelo novo sistema.

“É óbvio que isso vai descambar para a inadimplência e para sonegação.”

O senador também defendeu uma ampla revisão regulatória.

“Devemos acelerar o equilíbrio fiscal. A reforma tributária trouxe e trará o maior IVA do mundo, uma carga tributária altíssima, em razão das concessões altíssimas e lobby. Vamos fazer um tesourão para revogar normas inúteis que só servem para prejudicar o empreendedor, no estilo motosserra. Proponho sim uma nova reforma tributária que aponte para uma redução dos juros. A austeridade fiscal reduzirá os juros.”

Na área de segurança pública, Flávio voltou a defender o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas e a ampliação da estrutura penitenciária federal.

Ao comentar a atuação do governo federal, afirmou:

“Lula vai fazer lobby, fora do Brasil, para que facções não sejam classificadas como narcoterroristas. Pessoal, nós estamos falando de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por essas facções. Pessoas que não conseguem abrir um pequeno comércio sem pagar uma taxa no prático, não podem receber uma encomenda em casa sem pagar uma taxa para a milícia. Para vender cachorro-quente na rua, vender milho, vender pipoca, tem que pagar taxa também para esses marginais. Quando é que o Lula vai classificar PCC, CV, milícia, como organização de terroristas?”

Caiado critica juros e cobra cumprimento do arcabouço

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), concentrou sua fala na previsibilidade fiscal, competitividade econômica e exploração de riquezas minerais.

“Todos nós sabemos que quando a taxa de juros é alta demais é impossível as pessoas continuarem na atividade. Também não tem como ser competitivo em relação a isso”, declarou.

Caiado também criticou o que chamou de “custo Brasil” e “custo PT”, afirmando que ambos têm levado o setor produtivo ao “grau de estrangulamento”.

Ao abordar a política fiscal, questionou o cumprimento das regras aprovadas pelo próprio governo.

“Quando o próprio governo elege um arcabouço fiscal, e descumpre o próprio arcabouço fiscal, qual é a confiança que isso transmite?”

O pré-candidato prometeu apresentar reformas estruturais já nos primeiros dias de governo e defendeu políticas de longo prazo para os setores industrial, mineral, agropecuário e tecnológico.

Antes de encerrar sua participação, fez um comentário sobre a disputa presidencial de 2026.

“Qualquer candidato não deve recorrer à presunção de inocência para governar o país.”

O encontro reuniu representantes da indústria e lideranças políticas para discutir propostas voltadas ao crescimento econômico, equilíbrio fiscal e aumento da competitividade do país nas próximas décadas.

Por Mariana Elise, de Brasília 
 

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