Entre o título e a controvérsia: final da Copa Africana 2026 entra para a história
Revolta da seleção senegalesa e decisão polêmica da arbitragem dominam o debate após o jogo
A final da Copa Africana de Nações 2026, disputada entre Senegal e Marrocos em Rabat, teve um desfecho tão histórico quanto tumultuado. A seleção senegalesa levantou o troféu pela segunda vez nos últimos três torneios, com um gol de Pape Gueye na prorrogação, mas o resultado ficou ofuscado por uma série de incidentes controversos e cenas de revolta dentro e fora de campo.
O clima tenso começou já no fim do tempo regulamentar, quando o árbitro, após revisão do VAR, marcou um pênalti para a equipe anfitriã em uma jogada que envolveu o defensor senegalês Malick Diouf e o atacante marroquino Brahim Díaz. Revoltados com a marcação, os jogadores de Senegal chegaram a deixar o gramado em protesto, interrompendo a partida por quase 15 minutos até o capitão Sadio Mané convencer o time a retornar.
O momento decisivo acabou sendo duplamente dramático: Brahim Díaz, que buscava dar a vitória a Marrocos nos acréscimos, cobrou de forma arriscada e fraca, em tentativa de “cavadinha”, e viu o goleiro Edouard Mendy defender com tranquilidade. Com o empate persistindo, a final foi para a prorrogação.
No tempo extra, Pape Gueye marcou aos 4 minutos, garantindo o título africano para Senegal por 1 a 0. A conquista desencadeou celebrações intensas em Dakar, com torcedores e autoridades comemorando o feito, enquanto o clima fora do estádio permaneceu tenso.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou a abertura de uma investigação sobre os acontecimentos em Rabat e prometeu tomar “ações apropriadas” contra qualquer conduta considerada inadequada. Além disso, a Federação Marroquina de Futebol comunicou formalmente CAF e FIFA sobre os protestos e incidentes, afirmando que a saída dos senegaleses do campo e a invasão de torcedores afetaram a normalidade da final.
A repercussão internacional também ecoou no cenário futebolístico: o presidente da FIFA, Gianni Infantino, criticou duramente a atitude de deixar o campo em protesto e reiterou que a violência e o desrespeito às decisões da arbitragem não têm lugar no esporte.