Entre táticas e legado: o papel do treinador no esporte piauiense
Treinadores do futebol e do handebol mostram como o esporte vai além da tática
Neste dia 14 de janeiro, Dia do Treinador, o Conecta Piauí destaca a importância de quem comanda além das quatro linhas. Eles são professores, formadores e, muitas vezes, agentes de transformação social. Foi com esse olhar que o Conecta Piauí conversou com dois nomes que representam áreas diferentes do esporte, mas compartilham a mesma essência: Gerson Testoni, treinador do Atlético Piauiense no futebol masculino, e Juliano Ramos, coordenador do GHC Red Bull, no handebol.
As trajetórias dos dois se confundem com a própria arte de treinar. No futebol, Gerson Testoni construiu seu caminho a partir de uma ruptura inesperada: o fim precoce da carreira como atleta. Uma lesão, entre os 29 e 30 anos, mudou completamente seus planos e abriu espaço para um novo sonho, que ele sequer imaginava ser possível.
"A minha história como treinador é bem complexa. Parei de jogar muito cedo, por causa de uma lesão que veio rápido, sem eu esperar. Quando deixei de ser atleta, eu nem tinha o segundo grau completo. Não me via como treinador, era extremamente tímido, tinha dificuldade de me expressar."
A decisão de entrar na faculdade de Educação Física foi o primeiro passo de uma jornada marcada por desafios pessoais e profissionais. A oportunidade em uma escolinha de futebol revelou um talento até então desconhecido.
"Entrei na faculdade tentando ser professor e ganhei uma oportunidade numa escolinha de futebol. Foi ali que eu vi que tinha o dom. Trabalhei muito na base, fui auxiliar técnico e, em 2019, me tornei treinador. Foram muitos obstáculos: infraestrutura, patrocínio, apoio, conhecimento. Mas fui vencendo, fazendo cursos pelo Brasil, buscando aprender sempre mais."
No handebol, essa transformação é ainda mais evidente na atuação do GHC Red Bull, coordenado por Giuliano Ramos. O projeto tem como base o compromisso social antes mesmo da formação esportiva, colocando o desenvolvimento humano como prioridade.
"Nosso primeiro objetivo é transformar essas crianças em grandes cidadãos. Só depois a gente busca o atleta, o talento. Esse é um dos nossos principais títulos."
A responsabilidade, segundo Juliano, é enorme, mas também motivo de orgulho. O trabalho desenvolvido ao longo dos anos mostra que o impacto do esporte vai muito além de medalhas e placares.
"É um processo longo, uma responsabilidade muito grande. Mas é muito gratificante ver o impacto que o handebol tem na comunidade."
De volta ao futebol, Gerson Testoni reflete sobre a própria trajetória como exemplo para quem está começando agora. Sobreviver no mercado esportivo, para ele, já é uma grande conquista.
"Estou indo para o meu sexto ano como treinador, já conquistei coisas importantes. Comecei lá embaixo, sem perfil, sem oportunidade. Fui lutando, me preparando. Hoje estou no mercado, com respeito e fazendo bons trabalhos. Esse é o recado para quem está começando: persistam."
Seja no gramado ou nas quadras, do futebol ao handebol, os treinadores seguem como peças fundamentais na construção de sonhos, disciplina e cidadania. Mais do que vitórias, eles carregam a missão de formar pessoas, e esse talvez seja o maior título de todos.