Mães no esporte: quando o amor materno se une à atividade física
Na matéria especial você confere relatos de mães que conciliaram o esporte com a maternidade
O esporte, seja qual modalidade praticada, traz inúmeros benefícios para quem o pratica, seja para o corpo ou a mente. Algumas pessoas se apegam tanto ao esporte que chegam a dizer que “amam” praticar alguma atividade física. E quando esse “amor” se mistura com amor a um filho? Mais do que nunca, essa dupla, entre filhos e o esporte, pode gerar um efeito sublime, que conecta mais os pais dos filhos. Mas, como hoje é o dia das mães, o
Conecta Piauí
traz vivências de mulheres que conciliam a vida materna com a prática esportiva, reforçando que os laços podem ser fortificados quando há a presença de ambos na vida de uma mãe.
Três gerações em uma mesma piscina
Sônia Helena, Débora Cristina e Tainá. Avó, filha e neta, respectivamente, são nadadoras do Círculo Militar de Teresina (CMT). As três compartilham da mesma paixão: a natação. E o esporte sempre esteve presente na vida das três. Desde criança, Débora foi incentivada pela mãe, Sônia, a nadar, sendo uma das principais incentivadoras para que as gerações futuras adentrassem de pulo no esporte, mostrando sempre incentivo e vontade para a prática esportiva.
E com a mãe e a filha na natação, faltava apenas uma pessoa para fechar esse trio de mulheres nadadoras: Tainá, filha de Débora. Antes mesmo da neta de Sônia nascer, a avó já demonstrava apoio. Com Débora grávida, Sônia já acompanhava a filha em aulas de hidroginástica durante a gestação. Após o nascimento de Tainá, logo com seis meses, a pequena foi introduzida à natação, sempre com o acompanhamento materno duplo. Com essa conexão, Débora Cristina afirma que a relação familiar ficou mais forte. “A gente ri muito, se diverte, fazemos competição dentro da piscina, ‘ bora lá! Vamos ver quem acompanha ”, comenta a nadadora.
Agora com 64 anos, Sônia Helena, avó, fala com orgulho em reunir filha e neta no mesmo esporte. “É muito emocionante [...] Quando uma não vem, a outra fica preocupada. Mesmo que você queira desistir, a outra puxa para junto. É um amor grande demais, não tem como ficar para baixo”, fala Sônia.
E Débora é só gratidão pelo incentivo que recebeu desde cedo pela mãe. “Tanto eu, como meus irmãos, aprendemos a nadar criança e isso a gente deve a nossa mãe. Eu agradeço muito, pois desde cedo ela já teve essa sensibilidade de colocar os filhos para aprender a nadar”, ressalta Débora.
Mãe e filha vencedoras no Beach Tennis
Umas das paixões na vida da profissional de Educação Física, Isabel Soares, é o Beach Tennis, mas há 11 anos atrás nasceria uma das suas maiores paixões: Mallu. Entretanto, nada impede que as duas paixões se juntem um dia. Mallu foi apresentada ao esporte ainda muito nova, mesmo atualmente estando com 11 anos de idade. Desde cedo, a jovem recebeu o incentivo da mãe para que participasse de treinos de Beach Tennis, como uma forma de se exercitar e gastar energia.
Só que, o que era para ser apenas um exercício do dia a dia, virou uma verdadeira fonte de troféus para Mallu, a primeira conquistada aos 9 anos, na categoria iniciante. A garota é, nada mais e nada menos, a primeira do ranking do Beach Tennis Piauiense desde 2023 nas categorias Sub 14 e Sub 18 local. Representou o Piauí na Copa das Federações em 2023 e, de quebra, é a atual número 5 do Brasil no Sub 12.
A dupla, mãe e filha, conquistaram diversas competições, são mais de 20 conquistas esportivas de Mallu, sempre com o apoio da mãe. Isabel Soares é mãe e treinadora de Mallu e fala da satisfação em competir ao lado da filha. “Quando eu vejo ela evoluindo a cada aula que eu estou dando para ela, eu vejo a evolução, isso dá um incentivo, dá um estímulo para que eu retorne à competição, porque eu tinha dado um tempo de competição e voltei justamente porque ela é minha dupla. Ela que é esse ponto de partida”, fala com satisfação a mãe.
Mallu descreve como é ter a própria mãe como treinadora e uma das principais incentivadoras no dia a dia. “Eu gosto muito de treinar com a minha mãe, porque me faz sentir alegre, mais confiante do que eu vou fazer. E ela disse para eu não ter medo de errar, porque é com os erros que a gente vai aprendendo e vai ficando mais forte, cada vez mais”, comenta a filha.
No ambiente familiar a conexão entre mãe e filha se fortalece, trazendo mais confiança e proximidade de ambas, como comenta Isabel. “Ela já era muito aproximada de mim e agora está mais ainda. Tem um feeling maior entre a gente, de se conhecer no olhar, quando um já não tá bem ou quando eu sinto que ela não tá querendo treinar, que está querendo descansar. [...] A gente conversa bastante fora das quadras. A gente sabe, muitas vezes, o potencial dos nossos filhos, tanto nos estudos quanto no esporte. O que acontece é que, às vezes, a gente não consegue direcionar, mas como eu tenho a base da ciência, a base da educação física, eu consigo desvencilhar bem os obstáculos que eu entendo diante de vários fatores que influenciam numa competição”, analisa Isabel.
Amor dentro e fora de campo
Lusinete Maria de Carvalho é jogadora do time feminino do Tiradentes-PI. Natural da cidade de Caridade do Piauí, a 463 km de Teresina, a jogadora divide o coração entre a paixão de jogar futebol e o amor pelo filho Carlos Henrique de Carvalho. A distância às vezes aperta o coração da mãe, que busca a carreira de jogadora, competindo, atualmente, o Campeonato Brasileiro Feminino Série A2.
A jogadora já estava no futebol quando teve Carlos Henrique, ainda muito nova. Lusinete não comenta o período em que teve o filho. “Quando eu vim para o mundo do futebol, eu já tinha ele. Quando eu vim parar em Picos, que eu já joguei muito com as abelhas, fui campeã duas vezes, no Piauiense, depois vim aqui para o Tiradentes, eu já tinha ele. Eu tive ele muito nova, eu tive ele com 16 anos, já completando os 17. É minha bênção, é minha vida, é tudo que eu tenho nessa vida”, relata Lusinete.
Mesmo com a distância, que separa fisicamente mãe e filho, Lusinete conta que sente as forças do laço familiar. “Quando eu saí já para o mundo do futebol, foi um pouco meio tarde, pelas oportunidades que tinha era pouca. Meu filho já tem 18 anos, ele gosta muito de futebol, igual a mim, quando está lá na cidade, que eu moro no interior de Caridade, ele joga lá com os meninos. Ele já assistiu jogos meus aqui em Teresina, assistiu em outras cidades, e ouve mais pelo rádio ou pela televisão quando é transmitido. É muito bom ter a presença dele, porque é uma força a mais. E, ao mesmo tempo, mesmo distante, eu tô aqui tentando lutar por um objetivo, e ele tá lá o tempo todo me dando força”, enfatiza a jogadora.
Estando perto ou longe, unidos pelo esporte e pela vontade de alcançar objetivos, mães e filhos mantêm laços afetivos sempre fortes. Esses são alguns exemplos de mães que, de alguma forma, conseguiram conciliar a vida dupla, uma jornada que não é fácil em nenhum dos lados. Na maternidade, a responsabilidade de ensinar, educar e acompanhar o crescimento do filho e filha se divide com o compromisso de estar presente no esporte, seja representando uma equipe ou apenas por questões de saúde, por exemplo. De qualquer forma, mãe é sempre mãe, estando perto ou longe. Nesse dia, o importante é dizer “feliz dia das mães”, presencialmente ou por ligação. O esporte transforma vidas e une, mais ainda, as vidas que se entrelaçam com o amor do esporte e da maternidade.
O Conecta Esportes deseja a todas as mamães esportistas e leitoras um Feliz dia das Mães! Confira nossa mensagem especial: