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Injeção contra HIV aplicada duas vezes ao ano tem adesão de 97% em estudo

Fiocruz mostra que voluntários preferiram o lenacapavir injetável à versão oral disponível no SUS

Uma injeção preventiva contra o HIV administrada apenas duas vezes por ano apresentou altíssima aceitação em um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Brasil. Dos 668 participantes elegíveis para a pesquisa, 651, equivalente a 97%, optaram pelo lenacapavir, o medicamento injetável, em vez da PrEP oral diária disponível gratuitamente no SUS desde 2018.

A PrEP, sigla para profilaxia pré-exposição, é uma estratégia de prevenção indicada para pessoas que não têm o HIV. Os medicamentos impedem que o vírus se estabeleça no organismo em caso de exposição.

Os resultados preliminares fazem parte do ImPrEP LEN-Brasil, primeiro estudo de implementação do lenacapavir na América Latina, e serão apresentados na 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro.

Outro dado relevante é que 78,3% dos participantes que começaram a usar o injetável nunca tinham utilizado nenhuma modalidade de PrEP anteriormente, indicando que a nova opção pode alcançar pessoas que enfrentam dificuldades para manter o uso dos comprimidos diários.

Evidências científicas reforçam a eficácia

Outro estudo da Fiocruz, o ImPrEP CAB Brasil, avaliou 1.447 participantes entre 18 e 30 anos em seis centros públicos, comparando o cabotegravir injetável com a PrEP oral. O resultado foi expressivo: nenhum caso de HIV foi registrado entre os usuários do injetável, enquanto dez diagnósticos ocorreram no grupo que usou a versão oral. A adesão ao esquema injetável chegou a 95%, contra 58% entre os que tomavam o comprimido diário. Todos os participantes do grupo injetável afirmaram querer continuar o tratamento por essa via.

Caminho para o SUS

Atualmente, mais de 130 mil pessoas fazem uso da PrEP oral gratuitamente pelo SUS. No entanto, barreiras como o estigma de carregar os comprimidos, os esquecimentos e a dificuldade de tomar o remédio todo dia ainda limitam a adesão.

A inclusão da versão injetável na rede pública depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec). O processo já está em análise, mas sem data definida para deliberação. Segundo estimativas da GSK, o uso do cabotegravir poderia evitar 385 mil novos casos de HIV em dez anos, com impacto econômico de R$ 14 bilhões em custos evitados.

Além do cabotegravir, o lenacapavir, antiviral da Gilead Sciences, também desponta como opção promissora. O medicamento oferece proteção de até seis meses por aplicação e foi capaz de proteger 100% das mulheres que o utilizaram contra a infecção pelo HIV.

"As pessoas estão mais atentas e demonstram muito interesse pelas novas tecnologias de prevenção. A gente precisa ampliar as possibilidades de cobertura por estratégias de prevenção, e as de longa ação podem ser muito efetivas na vida real", afirmou Beatriz Grinsztejn, pesquisadora do INI/Fiocruz e coordenadora do estudo.

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