Após acidente com agrotóxicos, análises avançam sobre água do Balneário Xixá
Logo após o acidente, ocorrido em março, foram realizadas ações emergenciais de contenção
O impacto do maior acidente ambiental já registrado na região de Bertolínia ainda está longe de ser considerado encerrado. Depois da mortandade de peixes, da contaminação do Riacho Esfolado e da interdição do Balneário Xixá, uma nova etapa da investigação busca responder a uma pergunta decisiva: os defensivos agrícolas atingiram a água subterrânea?
Para descobrir essa resposta, a empresa responsável pelo transporte da carga iniciou, sob fiscalização da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), a instalação de poços de monitoramento na área afetada. As estruturas permitirão coletar amostras da água que circula abaixo da superfície, algo impossível de ser feito apenas com análises da água do riacho.
Logo após o acidente, ocorrido em março, foram realizadas ações emergenciais de contenção do vazamento, limpeza da área e as primeiras coletas de água e solo. Agora, o monitoramento entra em uma fase mais profunda e estratégica, essencial para verificar se houve migração dos produtos químicos para o lençol subterrâneo e acompanhar a eficácia das medidas de recuperação ambiental.
“O trabalho entra agora em uma etapa ainda mais importante. Os poços permitem acessar a água subterrânea e acompanhar sua qualidade ao longo do tempo. Esse monitoramento vai indicar se houve ou não contaminação e orientar todas as decisões sobre a recuperação da área e a segurança da população”, explica o gerente de Fiscalização da Semarh, Renato Nogueira.
Enquanto os estudos continuam, o Balneário Xixá segue interditado. A proibição de banho, pesca e consumo de alimentos produzidos na área permanece em vigor até que análises laboratoriais comprovem que não há mais riscos para a saúde humana e para o meio ambiente. A medida é preventiva e busca evitar que pessoas sejam expostas a uma contaminação que ainda está sendo investigada.
Relembre o caso
No dia 6 de março de 2026, um caminhão carregado com mais de 26 mil litros de defensivos agrícolas tombou às margens da BR-135, dentro da área do Balneário Xixá, em Bertolínia. O motorista morreu no acidente e parte da carga escorreu para o Riacho Esfolado, provocando mortandade de peixes e levando o Governo do Estado a interditar o balneário. Desde então, equipes ambientais acompanham a recuperação da área para evitar que um desastre de grandes proporções deixe impactos permanentes sobre um dos recursos naturais mais valiosos da região: a água.