Em Pauta

Quase 900 caranguejos salvos no defeso: a maior apreensão da história do Piauí

Animais foram resgatados e devolvidos ao manguezal durante a terceira etapa da operação

Em tempos de emergência climática e colapso da biodiversidade, proteger o que ainda resiste é um dever inadiável. No litoral do Piauí, quase 900 caranguejos-uçá foram resgatados e devolvidos ao manguezal durante a terceira etapa da Operação Defeso, realizada entre os dias 17 e 22 de fevereiro pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), em parceria com a Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Civil. É a maior apreensão já registrada no estado.

Para dimensionar o que isso representa, basta uma referência direta: 900 caranguejos equivalem ao consumo diário de cerca de três a nove restaurantes, dependendo do porte e do movimento. Ou seja, o que foi salvo em poucos dias poderia desaparecer das áreas de mangue em apenas uma jornada de forte demanda gastronômica. O número impressiona, mas o que ele simboliza é ainda mais relevante.

O caranguejo-uçá é peça-chave no equilíbrio dos manguezais, um dos ecossistemas mais produtivos do planeta. Durante o defeso, período em que a espécie se reproduz, a captura é proibida exatamente para garantir a renovação dos estoques naturais. No primeiro dia de operação foram apreendidos 60 indivíduos. No segundo, mais de 800. Ao todo, quase 900 espécimes foram encontrados tanto em pontos de comercialização quanto em áreas de mangue, antes de serem resgatados.

Segundo o auditor ambiental Eduardo Ganassoli, a devolução foi feita com critério técnico. “Foram soltos aqui na área de mangue do litoral, em vários pontos diferentes, para evitar sobrecarga de indivíduos e garantir o máximo de dispersão possível. A intenção é assegurar que completem o ciclo reprodutivo”, explicou. A estratégia evita desequilíbrios locais e aumenta as chances de sobrevivência da espécie.

As penalidades para quem insiste em desrespeitar a legislação podem chegar a R$ 100 mil, além de R$ 20 por indivíduo apreendido. Mas, mais do que multas, o que está em jogo é a compreensão de que proteger o mangue é proteger a economia local, a segurança alimentar e a estabilidade climática. Cada caranguejo devolvido não é apenas um animal salvo, é um elo restaurado na delicada engrenagem da vida costeira.

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