Painel Político

Lula promete enfraquecer facções e ampliar presídios de segurança

Presidente afirmou ao Sem Censura que criminosos estão em todas as áreas da sociedade

Durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta sexta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma atuação mais rigorosa do Estado no combate ao crime organizado e afirmou que a principal estratégia do governo é enfraquecer financeiramente as facções criminosas. A declaração foi feita ao comentar o lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, pacote que prevê R$ 11 bilhões em investimentos e linhas de crédito para ações de segurança pública em todo o país.

Segundo Lula, as organizações criminosas deixaram de atuar apenas de forma local e passaram a operar como estruturas complexas e articuladas nacional e internacionalmente. “A primeira coisa é acabar com o poderio econômico da facção criminosa, porque hoje a facção criminosa é uma indústria multinacional”, afirmou. O presidente disse ainda que líderes de grupos criminosos continuam comandando atividades ilícitas mesmo quando estão presos e alegou que essas organizações já possuem influência em diversos setores da sociedade. “Eles da cadeia comandam muita coisa de fora. Tanto o crime organizado como as facções já têm gente no Poder Judiciário, gente na política, gente no futebol, gente em qualquer lugar”, declarou.

O chefe do Executivo ressaltou que a estratégia do governo passa também pelo fortalecimento do sistema prisional. De acordo com Lula, a União pretende construir 138 unidades prisionais nos estados e ampliar estruturas de segurança máxima para dificultar a comunicação entre lideranças criminosas e integrantes que atuam fora dos presídios. “Ou a gente quebra eles economicamente, depois a gente tem que melhorar as prisões. Por isso que nós vamos fazer 138 prisões nos estados e reformular para aquela segurança máxima”, disse.

Outro eixo prioritário do programa, segundo o presidente, será o combate ao tráfico e à circulação ilegal de armas. Lula afirmou que o tema foi discutido durante conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao relatar o diálogo, o brasileiro disse ter cobrado maior cooperação internacional para enfrentar organizações criminosas. “Você quer combater o crime organizado? Nós queremos também. Você quer combater o narcotraficante? Nós também queremos”, afirmou.

Lula também declarou ter apresentado a Trump um documento apontando que grande parte das armas apreendidas pelas forças de segurança brasileiras tem origem nos Estados Unidos. “As armas que a Polícia Federal brasileira apreende, quase todas vêm dos Estados Unidos. Eu disse isso para ele e entreguei um documento”, relatou. O presidente acrescentou que considera indispensável a cooperação entre os países para enfrentar o tráfico internacional de armas e a lavagem de dinheiro utilizada para financiar atividades criminosas.

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