Ex-assessor de promotor é preso por descumprimento de monitoramento eletrônico
Foi denunciado por crimes de concussão, prevaricação, tráfico de influência e supressão de documento
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Piauí (MPPI), e a Polícia Civil do Piauí (PC-PI) cumpriram, na manhã desta quinta-feira (12/02), mandado de prisão preventiva contra André Bispo, ex-assessor do promotor de Justiça Maurício Verdejo. A medida foi adotada em razão do reiterado descumprimento da cautelar de monitoramento eletrônico à qual ele estava submetido. O ex-assessor foi levado para a Central de Flagrantes de Teresina para os procedimentos da audiência de custódia.
O pedido de prisão foi apresentado pela Procuradoria-Geral de Justiça do Piauí (PGJ-PI), por meio da Subprocuradoria-Geral de Justiça Jurídica, ao Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI).
André Bispo era assessor do promotor de Justiça Maurício Verdejo. Ambos foram denunciados pelo Ministério Público do Piauí, em setembro do ano passado, pelos crimes de concussão, prevaricação, tráfico de influência e supressão de documentos.
A ação penal está em andamento e aguarda a fase de instrução.
SOBRE A DENÚNCIA
Em setembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) recebeu denúncia oferecida pelo Ministério Público do Piauí (MPPI) contra o promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior e seu ex-assessor André Ricardo Bispo Lima. Eles foram denunciados pelos crimes de concussão, prevaricação, tráfico de influência e supressão de documentos. A denúncia foi apresentada no âmbito do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) nº 008/2024, conduzido pela Subprocuradoria-Geral de Justiça Jurídica.
De acordo com a peça acusatória, o promotor teria exigido vantagem indevida no valor de R$ 3 milhões do empresário Junno Pinheiro Campos de Sousa, em troca do arquivamento de um procedimento investigatório e da intermediação de sua absolvição em outro processo criminal. Os encontros teriam ocorrido entre julho e agosto de 2024, nos municípios de Cajueiro da Praia e Teresina.
Durante as tratativas, o promotor afirmou possuir influência no Tribunal de Justiça do Piauí e em tribunais superiores, e que poderia “enterrar” provas e documentos sigilosos. As investigações indicam que, no dia 2 de agosto de 2024, o empresário esteve na residência do promotor para entregar parte do dinheiro. No dia 7 do mesmo mês, ele retornou ao local para entregar R$ 500 mil. A Polícia Federal flagrou o encontro no condomínio do promotor. Na sequência, a autoridade policial cumpriu mandado de busca e apreensão, encontrando R$ 896 mil na residência do promotor.
Segundo as investigações, o ex-assessor André Ricardo teria atuado em conjunto com o promotor, inclusive orientando a vítima na elaboração de minutas de petições a serem protocoladas com o objetivo de viabilizar o arquivamento do Procedimento Investigatório Criminal. O promotor também é acusado de ter bloqueado remotamente seu celular apreendido, impedindo a extração de dados pela perícia, o que fundamenta a acusação de supressão de documento.
Diante da gravidade dos fatos, o MPPI requereu a prisão preventiva de Maurício Verdejo e a perda de seu cargo público. Na denúncia, a instituição ressaltou que os crimes praticados comprometem a dignidade da função ministerial e afrontam os princípios da legalidade e da moralidade administrativa. O Ministério Público do Piauí segue acompanhando o andamento do processo.