Prefeito preso e afastado: polícia detalha escândalo sobre exploração de garotas
Silas Noronha, de Pio IX, foi afastado por 90 dias e seu sobrinho também foi preso
A Polícia Civil do Piauí divulgou novos detalhes sobre a investigação que levou à prisão do prefeito de Pio IX , Silas Noronha (PSD), suspeito de envolvimento em um esquema de exploração sexual de adolescentes. O gestor foi preso na manhã desta sexta-feira (10/04), após se apresentar na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Teresina.
De acordo com a delegada Rosa Chaib, responsável pelo caso, o inquérito segue em sigilo e apura um suposto favorecimento à prostituição envolvendo menores de idade. “A investigação corre em sigilo, mas se trata de um caso de suposto favorecimento de prostituição e exploração sexual envolvendo menores, em que o investigado é o prefeito. A dinâmica dos fatos também revelou a participação de mais duas pessoas, sendo um sobrinho e outro que ficou conhecido como comunicante”, explicou.
Ainda segundo a delegada, há indícios de que um dos envolvidos poderia estar sendo pago com recursos públicos. “A investigação segue dentro da legalidade, com busca por provas técnicas para chegarmos à verdade real e responsabilizar, de forma justa, os envolvidos”, completou.
O delegado Thales Gomes, que também atua no caso, confirmou que o prefeito foi afastado do cargo por 90 dias por decisão do Tribunal de Justiça do Piauí. “Estamos comunicando formalmente à Câmara Municipal para dar seguimento ao afastamento e convocar quem é de direito para assumir a gestão do município”, afirmou.
As investigações já resultaram na prisão do sobrinho do prefeito, Samuel Noronha, ocorrida ainda na quinta-feira (09/04). Segundo o delegado, o gestor não havia sido localizado inicialmente, mas se apresentou posteriormente à polícia. “No primeiro momento, ele não vai se manifestar. Após ter acesso ao conteúdo da investigação, deve prestar esclarecimentos. A expectativa é que o interrogatório formal ocorra ainda esta semana”, disse.
A Polícia Civil informou que diversas pessoas já foram ouvidas e outras oitivas devem ocorrer nos próximos dias. O material apreendido, incluindo celulares, será fundamental para o avanço das investigações. “É um caso delicado, que segundo informações, já ocorre há certo tempo. A partir das prisões, outras pessoas que têm conhecimento dos fatos tendem a se manifestar”, destacou Thales Gomes.
Ainda conforme a polícia, algumas das possíveis vítimas atualmente já são maiores de idade, o que muda o tipo de procedimento adotado nos depoimentos. No entanto, quando há envolvimento de adolescentes, é necessária uma escuta especializada, conforme prevê a legislação.
Sobre a possibilidade de familiares das vítimas terem conhecimento dos fatos, os investigadores afirmaram que ainda não há como confirmar. “Não é possível dizer neste momento se as famílias sabiam ou não, até porque nem todas as vítimas foram ouvidas”, pontuou.
O caso veio à tona após denúncias feitas em março por Liedson Alves, ex-integrante da equipe de campanha do prefeito. Ele afirmou ter sido coagido a recrutar menores para encontros com o gestor em troca de pagamento mensal. A investigação segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.