Estatais federais registram lucro recorde de R$ 169,4 bilhões em 2025
Os investimentos também mais que dobraram em relação a 2022.
RedaçãoO Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) apresentou, nesta quarta-feira (2), o Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais 2026, com dados referentes a 2025. O levantamento mostra que as empresas públicas registraram lucro líquido recorde de R$ 169,4 bilhões, incluindo R$ 110,6 bilhões da Petrobras. O patrimônio líquido consolidado ultrapassou pela primeira vez R$ 1 trilhão, enquanto o faturamento chegou a R$ 1,4 trilhão. Os investimentos também mais que dobraram em relação a 2022.
Hoje, a União controla 44 empresas estatais — sendo 27 não dependentes e 17 dependentes do Tesouro —, além de 73 subsidiárias. Juntas, elas empregam cerca de 441 mil pessoas.
Durante a apresentação do relatório, a secretária de Coordenação e Governança das Estatais, Elisa Leonel, afirmou que o desempenho financeiro deve ser analisado pelo lucro obtido pelas empresas, e não apenas pelo indicador de déficit primário.
“Olhar para a medida de déficit primário é uma forma equivocada de observar as empresas. O ideal é olhar para o lucro”, afirmou Leone. “A saúde financeira das empresas não está atrelada a medidas de déficit.”
Segundo a secretária, a metodologia utilizada pelo Banco Central segue critérios do Fundo Monetário Internacional (FMI), que registram os investimentos no momento em que são realizados, sem considerar recursos acumulados em caixa. Como exemplo, ela citou a Emgepron, que aparece temporariamente com déficit em razão dos investimentos na construção de fragatas, embora os ativos sejam incorporados ao longo do tempo.
O relatório também aponta retorno financeiro para a União. De acordo com os dados apresentados, a cada R$ 1 aportado pelo Tesouro Nacional nas empresas estatais, R$ 1,40 retorna aos cofres públicos. Em 2025, as companhias distribuíram R$ 84,2 bilhões em dividendos, dos quais aproximadamente 54% ficaram com a União. Mesmo considerando R$ 31 bilhões em subvenções, concentradas principalmente na Embrapa e em ações de apoio ao SUS, o resultado líquido representou ingresso de R$ 13,1 bilhões no Orçamento Geral da União.
Entre as empresas que registraram lucro recorde estão o Serpro, com R$ 775,1 milhões, a Emgea, com R$ 900,1 milhões, e o Banco do Nordeste (BNB), que alcançou R$ 3,08 bilhões. O relatório também destaca que empresas como Infraero e Telebras encerraram o período com resultado positivo após anos de prejuízo.
Além dos indicadores financeiros, o documento apresenta dados sobre iniciativas consideradas estratégicas pelo governo. A Embrapa teve estimativa de retorno social de R$ 124 bilhões, enquanto a Conab registrou R$ 18 bilhões. A Hemobras foi apontada como peça importante para ampliar a autonomia nacional no tratamento da hemofilia.
Na área de crédito, o BNDES informou ter movimentado R$ 366 bilhões em financiamentos, enquanto a PPSA respondeu por R$ 30,9 bilhões em arrecadação para a União.
O relatório também reúne ações nas áreas de sustentabilidade, diversidade e tecnologia. O Banco do Brasil informou a meta de mobilizar R$ 500 bilhões em crédito sustentável até 2030. A Caixa Econômica Federal declarou possuir carteira de R$ 867,5 bilhões em finanças sustentáveis. As estatais também firmaram um pacto voltado à promoção dos direitos humanos e da diversidade. No BNDES, foi adotada reserva de 30% das vagas para pessoas negras e de 15% para pessoas com deficiência.
Na área tecnológica, Serpro e Dataprev anunciaram previsão de investimento conjunto de R$ 3 bilhões em projetos de inteligência artificial e infraestrutura voltada ao armazenamento de dados em nuvens nacionais.
Questionada sobre os Correios, única estatal federal que não registrou lucro no período, Elisa Leonel afirmou que a empresa enfrenta um cenário observado em serviços postais de outros países. Segundo ela, o período em que os Correios integraram o programa de desestatização afetou a capacidade de investimento da empresa.
A secretária também afirmou que o debate internacional sobre empresas públicas passou a incluir temas relacionados à soberania nacional. Segundo ela, organismos como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Fórum Econômico Mundial passaram a ampliar essa discussão.
Leone também citou o setor de saneamento e energia ao defender o papel das empresas estatais em situações de crise.