Frota de carros elétricos cresce e desafia condomínios em Teresina

Crescimento da frota no Piauí exige adaptações e novas regras para instalações
Redação

A expansão da frota de veículos elétricos no Piauí tem levado condomínios residenciais a enfrentarem um novo desafio: adequar suas estruturas para atender à crescente demanda por pontos de recarga. O tema ganhou destaque recentemente na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), onde tramita um projeto de lei que pretende regulamentar a instalação de carregadores em condomínios e garantir mais segurança para moradores e administradores.

Impulsionados pela busca por economia, conforto e sustentabilidade, os carros elétricos estão cada vez mais presentes nas ruas de Teresina. Com esse crescimento, especialistas alertam para a necessidade de planejamento técnico adequado para evitar riscos durante o carregamento dos veículos.

Segundo o diretor de Energia da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Estado do Piauí (Agrespi), Dionatas Alves, a instalação de carregadores exige critérios rigorosos de segurança e não deve ser feita de forma improvisada.

“Você não deve, em forma alguma, improvisar essa instalação, porque ela requer um nível de segurança e de tecnicidade de extrema importância para que esse veículo seja carregado de forma segura e com instalação em conformidade técnica legal”, explicou.

O alerta ocorre em meio ao aumento do interesse de moradores por esse tipo de estrutura. Em um condomínio localizado na zona Leste de Teresina, a administração precisou adaptar regras internas para viabilizar a instalação do primeiro carregador para veículos elétricos.

A síndica Leiliane da Mata conta que o equipamento foi instalado após uma série de estudos e discussões entre os moradores.

“Na época nós fizemos uma assembleia, realizamos um estudo prévio da carga elétrica e elaboramos um projeto explicando toda a infraestrutura necessária. Tudo foi orientado da melhor forma possível”, afirmou.

O carregador foi instalado em 2024 e, desde então, o interesse de outros moradores aumentou. Diante da procura, o condomínio decidiu suspender temporariamente novas instalações até a conclusão de um novo estudo de capacidade elétrica.

“Em relação às novas instalações, a gente deu uma pausa. Fizemos um novo estudo de carga e estamos aguardando essas discussões na Assembleia Legislativa para definir como vamos conduzir os próximos pedidos”, acrescentou a síndica.

Projeto de lei busca regulamentar instalações

A necessidade de regras mais claras levou o assunto ao debate legislativo. Recentemente, a Alepi realizou uma audiência pública para discutir um projeto de lei que trata da instalação de carregadores para veículos elétricos em condomínios residenciais.

Autor da proposta, o deputado estadual Evaldo Gomes defende que a regulamentação pode trazer mais segurança jurídica tanto para moradores quanto para as administrações condominiais.

“O projeto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e agora está na Comissão de Defesa do Consumidor. Vamos apresentar uma emenda e aguardar o posicionamento dos demais deputados”, explicou.

Entre os pontos em discussão está a possibilidade de incentivar a adoção de carregadores coletivos, alternativa vista como mais segura para os condomínios.

“Quem tem um carro elétrico naturalmente terá custos, mas esse é um debate condominial. Nós vamos apresentar uma emenda colocando que a instalação deve ser coletiva. No momento em que instalamos carregadores coletivos, o condomínio terá muito mais segurança para a vida das pessoas”, destacou o parlamentar.

Frota cresce mais de 160% em dois anos

Os números demonstram o avanço acelerado da eletromobilidade no estado. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) apontam que o Piauí possuía cerca de 1,9 mil veículos eletrificados em fevereiro de 2024. Em fevereiro de 2026, esse número ultrapassou os 5 mil veículos.

A concentração é ainda maior em Teresina, que reúne aproximadamente 80% da frota estadual de veículos elétricos e híbridos.

O crescimento também se reflete no mercado automotivo. Em maio deste ano, um modelo da fabricante chinesa BYD figurou entre os dez carros mais vendidos do país, ocupando a sétima posição no ranking nacional.

Especialistas destacam que a expansão da eletromobilidade exige adaptações nas edificações, principalmente nos condomínios construídos antes da popularização dos veículos elétricos.

A recomendação é que qualquer instalação seja precedida por estudos técnicos para avaliar a capacidade da rede elétrica e a necessidade de reforços na infraestrutura.

Com a tendência de aumento da frota nos próximos anos, o projeto de lei em tramitação busca justamente equilibrar o direito dos proprietários de veículos elétricos com a segurança coletiva dos moradores e a realidade estrutural dos condomínios.

Enquanto a regulamentação avança, síndicos, moradores e especialistas concordam em um ponto: o futuro da mobilidade elétrica depende não apenas dos veículos, mas também da capacidade das cidades e das edificações de se adaptarem a essa nova realidade.

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