Paralisação de garis fecha avenida em Teresina e cobra aprovação de lei federal

Trabalhadores da limpeza urbana realizaram protesto na avenida Frei Serafim para pressionar o Senado
Redação

Os garis de Teresina aderiram, na manhã desta sexta-feira (15/05), à paralisação nacional da categoria que cobra a votação do Projeto de Lei 4146/2020, que prevê, além do piso nacional para os garis, de R$ 3.036, benefícios como adicional de insalubridade de 40% e aposentadoria especial. O projeto já foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda tramitação no Senado.

Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Piauí (SEEACEP), Jonatas Miranda, a categoria decidiu cruzar os braços após tentativas frustradas de diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

“A razão que nós estamos fazendo essa paralisação hoje é pela aprovação do projeto de lei 4146 que regulamenta o piso salarial dos garis. O projeto já foi aprovado na CCJ e na Câmara dos Deputados e está no Senado dependendo somente do senador Davi Alcolumbre nomear relator e pautar o projeto”, afirmou.

O sindicalista disse ainda que representantes da categoria estiveram em Brasília em busca de uma reunião com o senador, mas não obtiveram retorno. Segundo ele, o grupo também se reuniu com o ministro Guilherme Boulos, que teria informado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende sancionar a proposta caso ela seja aprovada no Senado.

“Tem 61 senadores que já assinaram se colocando à disposição. Então mostra que ele não tem interesse em resolver o problema, mas hoje nós damos a resposta. Não só Teresina, mas o Brasil inteiro hoje está cruzando os braços”, declarou Jonatas.

Durante o ato, os trabalhadores também criticaram as condições salariais enfrentadas pela categoria em Teresina. De acordo com o presidente do sindicato, cerca de dois mil garis atuam atualmente na capital e a paralisação atingiu 100% da categoria nesta sexta-feira.

“Teresina é uma capital que castiga muito o gari. O salário hoje que o gari recebe é um salário mínimo. Alguns recebem insalubridade de 40%, outros de 20%, dependendo do serviço. Teresina é uma das capitais que possui um dos menores salários para os garis”, afirmou.

Ainda segundo o SEEACEP, a Prefeitura de Teresina notificou o sindicato e não teria aceitado o motivo da paralisação. Apesar disso, a entidade afirmou que continuará pressionando o Senado para que o projeto seja votado em regime de urgência.

O PROJETO
O Projeto de Lei 4146/2020 regulamenta a profissão de trabalhadores da limpeza urbana (garis), estabelecendo piso salarial nacional (atualmente referenciado como R$ 3.036 ou dois salários mínimos), jornada de 40 horas semanais e adicional de insalubridade de 40%. O PL visa valorizar a categoria, reconhecendo-a como essencial à saúde pública.

Leia também