Seminário debate agricultura familiar e mudanças climáticas durante feira no Piauí

Especialistas defenderam políticas públicas e ações para fortalecer a produção rural sustentável
Redação

As mudanças climáticas e seus impactos sobre a agricultura familiar estiveram no centro das discussões do seminário "Mudanças Climáticas e Agricultura Familiar: Soluções Práticas para um Campo Mais Resiliente", realizado neste sábado (4), durante a programação da III Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária, no Espaço Rosa dos Ventos, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina.

O encontro reuniu representantes da Defesa Civil do Piauí, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), que debateram caminhos para ampliar a adaptação às mudanças climáticas, fortalecer a agricultura familiar e preservar os biomas por meio de políticas públicas integradas e da participação das comunidades.

Representando o Ministério do Meio Ambiente, Alexandre Pires destacou que a construção de políticas públicas deve ocorrer em diálogo permanente com a sociedade civil, garantindo que as ações reflitam as necessidades dos territórios.

"Não dá mais para ficar fazendo política dentro da sala. Tem que fazer política junto com o povo, escutando as pessoas", afirmou.

Durante o debate, também foram abordadas estratégias para ampliar a proteção dos territórios diante da chegada de grandes empreendimentos, reforçando a importância da atuação dos órgãos de controle e da participação das comunidades nos processos de decisão.

O diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, chamou atenção para a necessidade de fortalecer a produção de informações sobre riscos ambientais e ampliar o monitoramento climático no estado. 
Segundo ele, conhecer as vulnerabilidades é essencial para planejar ações de prevenção e proteger as futuras gerações.

"Nós sabemos das nossas riquezas, mas precisamos urgentemente conhecer o mapa dos riscos. Eu não sou adepto do concreto, eu sou adepto da vida."

Representando a ASA, Rejane reforçou que a conservação da Caatinga passa pela permanência das famílias em seus territórios e pelo resgate dos saberes tradicionais.

"O recatingamento não é só fazer o plantio de árvores nativas. É resgatar a cultura, resgatar o que era tradicional daquela comunidade."

Já a representante do FIDA, Alexandra Teixeira, destacou a importância da produção de dados para orientar políticas públicas mais eficientes. Ela lembrou que o projeto apoiou a implantação das dez estações agrometeorológicas existentes no Piauí e defendeu uma maior integração entre instituições e financiadores para potencializar as ações de conservação e adaptação climática.

"Quanto melhor conseguimos diagnosticar, melhor conseguimos tomar decisões de políticas públicas orientadas para os municípios e locais que mais precisam."

A secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, destacou que a Feira é mais que um espaço de comercialização, mas também de debate e fortalecimento da agricultura familiar. 

“É um evento que reúne cultura, comercialização de produtos sustentáveis e também muita troca de experiências e debates sobre os rumos e o futuro da agricultura familiar no Piauí”, afirma a secretária.

O seminário integrou a programação do último dia da III Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária, que segue até a noite deste sábado (4), no Espaço Rosa dos Ventos da UFPI, com atividades técnicas, exposições e apresentações culturais. O encerramento do evento será marcado pelo show da cantora Marina Elali.

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