Ucrânia e EUA avançam em plano de paz, mas prazo de garantias gera impasse
Presidente ucraniano pede até 40 anos de proteção; EUA ofereceram apenas 15
RedaçãoO presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta segunda-feira (29) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu garantias de segurança ao país por um período de 15 anos. Segundo Zelensky, o prazo foi considerado insuficiente, e ele pediu que a proteção se estenda por até 40 anos.
As garantias significariam que, em caso de nova invasão, os EUA e aliados europeus enviariam tropas para defender o território ucraniano, em moldes semelhantes ao compromisso da Otan. A proposta foi apresentada durante encontro entre Trump e Zelensky no domingo (28), na Flórida, quando ambos disseram estar próximos de um acordo de paz para encerrar a guerra com a Rússia.
Zelensky destacou que Trump mencionou a possibilidade de prorrogar o prazo inicial, mas reforçou que deseja um compromisso mais longo. Washington ainda não se posicionou sobre o pedido.
O Kremlin, por sua vez, declarou concordar com a afirmação de Trump de que o fim da guerra “está mais próximo do que nunca”. No entanto, o porta-voz Dmitry Peskov condicionou o avanço das negociações à retirada das tropas ucranianas do Donbass, região leste em grande parte controlada pela Rússia.
Na semana passada, Zelensky havia sinalizado disposição em retirar forças da área caso Moscou aceitasse a criação de uma zona desmilitarizada. O plano de paz elaborado pelos Estados Unidos prevê essa possibilidade, mas ainda não foi aceito por todas as partes.
Durante a reunião, Trump afirmou que 90% do acordo já está fechado, mas reconheceu entraves relacionados ao Donbass e à Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. Ele disse acreditar que um desfecho positivo pode ocorrer nas próximas semanas, embora não descarte o fracasso das negociações.
Zelensky agradeceu pela mediação norte-americana, mas evitou responder sobre concessões territoriais. “É a terra de nossa nação, a terra de muitas gerações”, afirmou.