CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário do dono dos Postos HD
Haran Santhiago movimentou mais de R$ 36 milhões com suspeitos de fraudes contra aposentados
RedaçãoA Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira (26/02) a quebra de sigilo bancário e fiscal do empresário piauiense Haran Santhiago Girão Sampaio. O requerimento, de autoria e relatoria do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) , foi aprovado durante a 4ª Sessão Legislativa Ordinária da 57ª Legislatura .
A medida determina a elaboração de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e a transferência de sigilo bancário e fiscal do empresário referentes ao período de 1º de janeiro de 2017 a 31 de dezembro de 2025.
Haran Santhiago Girão Sampaio é CEO do Grupo HDG e fundou em 2014 a rede de postos HD, que expandiu rapidamente para 32 unidades no Piauí, Maranhão e Tocantins. Em novembro de 2025, tornou-se alvo da Operação Carbono Oculto 86 , deflagrada pela Polícia Civil do Piauí, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que teria movimentado cerca de R$ 5 bilhões.
Movimentações suspeitas
Segundo a justificativa do requerimento, Haran realizou transações financeiras com José Lins de Alencar Neto, investigado por ligação com as associações AAPEN, CAAP, AAPB e CENAP.ASA, envolvidas no esquema de fraudes contra aposentados. O empresário piauiense recebeu R$ 1.440.000,00 de José Lins e suas empresas EP Telemarketing Ltda e EP Tecnologia Ltda.
Além disso, Haran transferiu R$ 1.700.000,00 para a empresa Solução Serv e Tecnologia Ltda, pertencente a Natjo de Lima Pinheiro, outro operador identificado na fraude contra beneficiários do INSS. Natjo foi presidente e tesoureiro da CAAP.
A movimentação mais expressiva envolve o valor de R$ 33.127.323,65, enviados pela Solução Serv e Tecnologia Ltda para a HD Petróleo Coruja Ltda, empresa que possui vinculação societária direta com Haran Santhiago Girão Sampaio, que figurou como sócio-administrador de 27 de julho de 2017 até março de 2024.
Esquema de fraudes contra aposentados
A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), revelou um quadro de fraude sistêmica que lesou milhões de aposentados e pensionistas. O esquema operava por meio da exploração de aposentados através de associações que implementavam descontos associativos, por meio de acordos de cooperação técnica (ACTs), em benefícios administrados pelo INSS, sem a devida autorização do titular.
Segundo o relator, a quebra de sigilo mostra-se medida indispensável para o esclarecimento dos fatos investigados pela CPMI, tendo em vista a vinculação direta de Haran ao fluxo financeiro resultante das fraudes em descontos associativos.
Objetivo das investigações
A quebra de sigilo visa esclarecer a origem, o destino e a finalidade das movimentações financeiras atípicas, verificar a compatibilidade entre rendimentos declarados e patrimônio constituído, além de identificar eventuais vínculos entre tais atividades e o esquema de fraudes investigado.
O levantamento incluirá todas as contas de depósitos, poupança, investimentos e outros bens mantidos em instituições financeiras, além de acesso a declarações de imposto de renda, operações com cartões de crédito, movimentações financeiras, operações imobiliárias e outros dados fiscais.
Situação atual
Atualmente, Haran está proibido de se ausentar de Teresina em razão da Operação Carbono Oculto 86, deve comparecer à polícia quando intimado e não pode se comunicar com os demais investigados naquele caso. Como resultado das investigações estaduais, 39 postos de combustíveis ligados ao empresário tiveram suas atividades suspensas por decisão judicial, e ele foi denunciado pelo Ministério Público por comercializar diesel adulterado.
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