Aliados admitem: delação de Vorcaro pode fazer Ciro Nogueira desistir da reeleição
O banqueiro chamava o senador de “um dos meus grandes amigos de vida”
RedaçãoAliados próximos do senador Ciro Nogueira (PP-PI) começam a admitir, nos bastidores, que ele pode desistir da candidatura à reeleição ao Senado nas eleições de 2026. O motivo principal seria o impacto da delação premiada que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, está negociando com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
Vorcaro foi preso em 2025 e, desde então, suas mensagens de celular vazadas pela PF mostram uma relação de amizade próxima com Ciro Nogueira.
O banqueiro chamava o senador de “um dos meus grandes amigos de vida” e comemorou publicamente uma emenda apresentada por Ciro que aumentaria o limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. Essa mudança, conhecida nos bastidores como “emenda Master”, beneficiaria diretamente o Banco Master, que usava CDBs com garantia do FGC para captar dinheiro de forma agressiva. A emenda acabou rejeitada pelo relator da PEC.
Investigações da PF apontam indícios de que Ciro atuou para ajudar o banco em dificuldade. Documentos mostram que uma empresa ligada a Vorcaro até fretou um helicóptero para levar Ciro e outros políticos após o GP de Fórmula 1 em São Paulo. Embora Ciro negue qualquer irregularidade e afirme que “espera que a PF passe a limpo” o caso, a possibilidade de Vorcaro detalhar essas relações em uma delação premiada preocupa o entorno do senador.
Ciro Nogueira é hoje presidente nacional do Progressistas (PP) e pré-candidato à reeleição no Piauí. Pesquisas recentes, como a do Instituto GP1 (abril de 2026), mostram que a disputa está acirrada: ele lidera com cerca de 31% das intenções de voto na primeira opção, mas enfrenta concorrentes fortes como os senadores Marcelo Castro (MDB) e o deputado Júlio César (PSD), com apoio do PT em alguns cenários. Uma derrota no Senado poderia enfraquecer seu controle sobre o partido.
Uma fonte próxima ao senador, que pediu para não ser identificada, explicou a estratégia alternativa que vem sendo discutida:
“A delação do Vorcaro trouxe fatos que podem complicar muito a imagem de Ciro no Piauí. Desistir da candidatura ao Senado e disputar uma vaga na Câmara Federal seria o caminho mais seguro. Assim ele evita um desgaste desnecessário numa eleição disputada, garante uma cadeira no Congresso Nacional e mantém o controle total do PP como presidente nacional. É uma forma de preservar o futuro político dele e do partido sem arriscar tudo agora.”
Ciro Nogueira já disse publicamente que renunciaria ao mandato se surgisse alguma prova concreta contra ele. Até o momento, não há denúncia formalizada, mas a delação de Vorcaro – que deve ser apresentada só depois de maio – continua gerando tensão em Brasília e no Piauí.
O caso continua em investigação e pode definir o rumo não só da carreira do senador, mas também do equilíbrio de forças no Centrão nas eleições de outubro.