Ciro Nogueira cancelou audiência com piloto no mesmo dia de operação da PF

Senador desistiu de conciliação em processo contra piloto que denunciou transporte de dinheiro
Redação

O senador Ciro Nogueira cancelou, nesta quinta-feira (07/05), uma audiência de conciliação que teria com o piloto Mauro Caputti Mattosinho, justamente no mesmo dia em que foi alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As informações foram divulgadas pelo ICL Notícias .

A audiência fazia parte de um processo movido por Ciro contra Mauro Mattosinho após o piloto relatar ao portal que teria transportado, em um voo, uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro em espécie. Segundo o relato, o transporte ocorreu na mesma ocasião em que um dos passageiros mencionou que teria encontro marcado com o senador.

Mattosinho trabalhava na empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP) e atuava como piloto de empresários investigados por suposta ligação com um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC, conforme apurações do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Federal.

Após as declarações do piloto, Ciro Nogueira entrou na Justiça com uma ação por danos morais e direito de imagem, pedindo indenização de R$ 30 mil. A audiência de conciliação entre as partes estava marcada para esta quinta-feira (07/05), mas foi cancelada após a operação da PF.

Na justificativa apresentada à Justiça, a defesa do senador alegou que ele foi surpreendido pelo cumprimento dos mandados de busca e apreensão e que precisaria acompanhar pessoalmente os desdobramentos da investigação, além de adotar medidas jurídicas consideradas urgentes.

A Operação Compliance Zero cumpriu mandados em endereços ligados ao senador em Brasília e no Piauí. O irmão dele, Raimundo Nogueira, também foi alvo da ação policial. A decisão judicial ainda determinou bloqueio de bens e valores que chegam a R$ 18,8 milhões.

Segundo a investigação, a Polícia Federal aponta suspeitas de que Ciro Nogueira teria atuado em favor de interesses ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em troca de supostas vantagens econômicas indevidas.

A decisão do ministro André Mendonça cita informações da PF indicando que uma emenda apresentada por Ciro ao Senado, em 2024, teria sido elaborada por integrantes ligados ao Banco Master. Conforme a investigação, o texto foi entregue em um envelope destinado ao senador e depois reproduzido integralmente no Congresso.

A defesa de Ciro Nogueira afirmou que o parlamentar está à disposição da Justiça e negou participação em qualquer atividade ilícita. O senador também já havia negado anteriormente qualquer proximidade com os investigados citados pelo piloto Mauro Mattosinho, além de afirmar que nunca recebeu valores ilegais.

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