'Teresina é uma capital que castiga muito os garis', lamenta sindicato em protesto
Paralisação de garis expõe crise e pressiona gestão Silvio Mendes em Teresina
RedaçãoA paralisação nacional dos garis, realizada nesta sexta-feira (15/05), escancarou a insatisfação dos trabalhadores da limpeza urbana com a realidade enfrentada em Teresina e aumentou a pressão sobre a gestão do prefeito Silvio Mendes. Com 100% da categoria parada, o movimento ganhou força após denúncias de baixos salários, falta de valorização profissional e resistência da Prefeitura em reconhecer a legitimidade do protesto.
O ato aconteceu durante a mobilização nacional que cobra a votação do Projeto de Lei 4146/2020, que prevê piso salarial de R$ 3.036 para os garis, além de adicional de insalubridade de 40% e aposentadoria especial. O texto já foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado.
Durante a manifestação, o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Piauí (SEEACEP), Jonatas Miranda, fez duras críticas à situação vivida pelos trabalhadores na capital piauiense e afirmou que Teresina está entre as capitais que pior remuneram os profissionais da limpeza urbana.
“Teresina é uma capital que castiga muito os garis. O salário hoje que o gari recebe é um salário mínimo. Alguns recebem insalubridade de 40%, outros 20%, dependendo do serviço que exerce. Teresina é uma das capitais que possui um dos menores salários para os garis”, declarou.
Segundo o sindicalista, a Prefeitura notificou o sindicato e não teria aceitado a justificativa da paralisação, mesmo diante da mobilização nacional da categoria. Para ele, falta sensibilidade da gestão municipal diante das condições enfrentadas pelos trabalhadores que atuam diariamente na limpeza da cidade.
“A prefeitura notificou, não entende, não aceitou o motivo da paralisação. Eu espero que o prefeito entenda e tenha sensibilidade em não querer prejudicar esses trabalhadores e entender que esses trabalhadores merecem dignidade”, afirmou Jonatas.
A fala aumentou o tom das críticas à administração municipal, principalmente diante da realidade enfrentada pelos garis, que atuam sob forte exposição ao sol, desgaste físico e riscos à saúde, enquanto seguem recebendo salários considerados baixos pela categoria.
Ainda de acordo com o presidente do SEEACEP, cerca de dois mil garis atuam atualmente em Teresina, distribuídos entre empresas responsáveis pela coleta de mato, capina, varrição e outros serviços urbanos. O sindicato afirma que a mobilização representa um grito de alerta contra o abandono da categoria e cobra uma postura mais humana da Prefeitura de Teresina diante da reivindicação nacional.
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