'Malhar o Judas': tradição une fé, cultura e crítica social no Sábado de Aleluia
Prática popular tem origem religiosa ligada à traição de Judas IscariotesCelebrado neste Sábado de Aleluia (04), o costume de “malhar o Judas” é uma das tradições mais populares da Semana Santa no Brasil, especialmente em regiões do Nordeste. A prática, que mistura simbolismo religioso e manifestações culturais, consiste na confecção de bonecos que representam Judas Iscariotes, o apóstolo que, segundo a tradição cristã, traiu Jesus Cristo.
A origem do ritual está diretamente ligada à narrativa bíblica da Paixão de Cristo, relembrada durante a Semana Santa, período que marca os últimos dias de Jesus até sua crucificação e ressurreição. Judas é visto como símbolo da traição, e sua punição simbólica tornou-se, ao longo do tempo, uma forma de representar a rejeição ao ato que levou à morte de Cristo.
Na prática, moradores confeccionam bonecos de pano, muitas vezes recheados com palha ou outros materiais, e os penduram em postes, árvores ou cruzes improvisadas. Em seguida, esses bonecos são “julgados”, espancados ou queimados em praça pública, em uma encenação que simboliza a punição de Judas.
Além do caráter religioso, a tradição também incorpora elementos da cultura popular. Em muitas comunidades, os bonecos recebem rostos ou nomes de figuras públicas, transformando o ritual em uma forma de crítica social e política. Essa adaptação mostra como o costume foi ressignificado ao longo do tempo, mantendo-se vivo por meio da participação coletiva.
Apesar do tom festivo em algumas regiões, o Sábado de Aleluia, do ponto de vista religioso, é marcado pelo silêncio e pela expectativa da ressurreição de Cristo. Assim, a “malhação do Judas” evidencia a coexistência entre a tradição litúrgica e as manifestações culturais populares que atravessam gerações.
Atualmente, mesmo com mudanças nos hábitos e na intensidade das celebrações, o costume segue presente em várias cidades brasileiras, reafirmando a força da memória coletiva e da cultura popular durante a Semana Santa.