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Coluna sobre música, cultura local e nacional. Notícias, resenhas e coberturas aqui no Conecta Piauí.

Rap piauiense marca 2025 com obras intensas

Lançamentos misturam crítica social, espiritualidade e vulnerabilidade em obras marcantes

O ano de 2025 consolidou a cena musical piauiense como um território fértil de resistência e criação. Artistas locais lançaram projetos que se destacaram pela força política, pela vulnerabilidade exposta e pela capacidade de transformar vivências periféricas em arte. Cada obra trouxe uma estética própria, mas todas convergiram na ideia de que a música é testemunho, denúncia e libertação.

Entre os destaques, Neggs e Yangprj apresentaram Libertador e Libertador Pt. 2, álbuns que funcionam como trincheiras sonoras. Com letras incisivas e produções densas, os trabalhos denunciam violência policial, desigualdade e alienação, construindo narrativas contínuas que se afirmam como manifestos políticos e existenciais.

Murilin.original lançou Ninguém sabe o que passa na mente do palhaço, um álbum curto, mas de grande densidade emocional. Com faixas que transitam entre humor ácido, sensualidade e confissão, o projeto revela a metáfora do palhaço como figura que diverte por fora, mas carrega dores internas, expondo vulnerabilidades com coragem.

Badblack, em parceria com Yangprj, apresentou o EP Escrevendo com Sangue. Com seis faixas diretas e viscerais, o projeto traduz a ideia de que cada rima é uma ferida aberta. O trabalho percorre afirmação de identidade, ironia e cotidiano periférico, encerrando-se com “Sabedoria das Esquinas”, que transforma a rua em escola e reafirma a periferia como espaço de aprendizado.

Velho Bad trouxe Lúxuria, álbum de oito músicas que exploram os excessos da vida urbana como metáfora de sobrevivência. Com beats pesados e colaborações diversas, o trabalho mistura afirmação, melancolia e irreverência, reforçando a multiplicidade de vozes da periferia e consolidando-se como manifesto coletivo.

Donai lançou Quando o Vento Bater, obra poética que mistura espiritualidade, crítica social e afeto. Com metáforas bíblicas e sonoridades minimalistas, o álbum reflete sobre fé, dor e amor como formas de resistência. A periferia aparece como centro narrativo, revelada com dignidade e potência, em um projeto que se tornou espelho poético da sociedade brasileira contemporânea.

Preta Cakau destacou-se com Ambiciosa, faixa que ressignifica o termo historicamente usado para diminuir mulheres. Transformada em símbolo de orgulho e emancipação, a canção afirma a identidade da mulher preta periférica e convoca outras vozes femininas à resistência.

Encerrando o ciclo de lançamentos, Kassandra apresentou o single Carta Aberta Para Esses Putos. A faixa mistura raiva, ironia e vulnerabilidade em um desabafo explosivo. Com beat pesado e minimalista, a artista transforma sua voz em arma, expondo contradições e denunciando opressões. O impacto está na crueza e na ausência de filtros, consolidando o trabalho como ponto de virada em sua trajetória, onde o desabafo puro se torna catarse e denúncia.

O conjunto desses lançamentos mostra que a música piauiense em 2025 não se limitou a estilos ou tendências. Foi denúncia, memória, espiritualidade e afirmação. Uma produção que incomoda, provoca e liberta, consolidando o Piauí como território fértil de arte engajada e transformadora.