A educação financeira nas escolas
Projeto torna obrigatório o tema na Educação Básica e amplia formação para cidadania financeira
O Senado Federal aprovou projeto que inclui o ensino de educação financeira nos ensinos fundamental e médio. A medida tem como objetivo garantir que os estudantes aprendam a lidar com o dinheiro de forma consciente desde cedo, para prevenir futuros endividamentos.
Tal justificativa reside na falta de conhecimento financeiro, hoje um problema significativo no Brasil, onde grande parte da população é endividada, chegando a 83 milhões de endividados, ou seja, mais de um terço da população brasileira com dividas neste ano de 2026. A educação financeira, como esta sendo proposto, é um dos temas transversais presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) voltada para uma conscientizacao sobre a importância do planejamento, onde o cidadão inicia a sua vida desenvolvendo uma relação equilibrada com o dinheiro e possa tomar decisões acertadas sobre finanças e consumo.
Os professores vão encaixar conceitos de finanças nas disciplinas que já existem, como matemática, história e geografia. Cada escola terá autonomia para incluir o tema em seu projeto pedagógico de acordo com a sua realidade local, evitando a sobrecarga dos alunos.
A educação financeira faz parte das orientações da Base Nacional Comum Curricular desde 2017, mas o projeto insere a regra diretamente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tornando a aplicação mais estruturada e obrigatória por lei.
O texto alternativo da Senadora Teresa Leitão – PT PE foi aprovado previamente na Comissão de Educação (CE). A relatora ampliou o texto original para incluir também a promoção da educação fiscal, previdenciária e securitária por parte do poder público. Com isso, os alunos também vão aprender sobre a importância dos impostos para o financiamento de serviços públicos, além de entender o funcionamento da previdência social e dos seguros.
Acredita-se que a disciplina educação financeira implantada nas escolas poderá trazer benefícios à sociedade de modo geral, tendo em vista ser uma reflexão sobre a importância da qualidade do ensino e da aprendizagem da Educação Financeira na escola como mecanismo de empoderamento dos estudantes. Tem sua relevância acadêmica pautada na necessidade de formar pessoas, que sejam capazes de trazer para os processos de ensino a realidade vivenciada no cotidiano e de forma contextualizada, compreender seu papel na sociedade na qual estão inseridas.
A Educação Financeira, em todos os níveis de ensino, é muito relevante, pois é um mecanismo de formação para a cidadania, tendo em vista que, por meio do conhecimento, a pessoa poderá decidir sobre a melhor forma de fazer uso do dinheiro, fornecendo, portanto, mecanismos de reflexão sobre o comportamento e a relação do indivíduo com as questões que envolvem finanças.
Assim, a Educação Financeira, discutida na Educação Básica, pode ser percebida como uma estratégia que visa à aquisição de conhecimentos que contribuam para a busca do sucesso no mercado financeiro e que podem ter seu ponto de culminância com a sonhada independência financeira, situação em que o indivíduo pode viver apenas a partir de rendas provenientes de seus investimentos.
Existem princípios básicos, segundo os especialistas no assunto, relacionados à questão da Educação Financeira, os quais podem ser estruturados, de acordo com a faixa etária, a fim de produzir um significado mais efetivo na vida do aprendiz, onde os mais citados:
- Como poupar;
- Manter o controle do dinheiro;
- Ser recompensado pelo que você merece;
- Gastar com sabedoria;
- Falar sobre dinheiro;
- Lidar com um orçamento limitado;
- Investir;
- Exercitar o espírito empreendedor;
- Lidar com o crédito;
- Usar o dinheiro para mudar o mundo.
A educação financeira nas escolas é mais do que apenas aprender a economizar dinheiro. Prepara os alunos para a vida adulta, ensinando habilidades essenciais de gerenciamento financeiro que impactam diretamente suas futuras decisões econômicas visando um mundo financeiro real, promovendo inclusão e responsabilidade
Valmir Martins Falcao Sobrinho
Advogado e economista