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Coluna com o economista e advogado Valmir Falcão, que vai abordar temas que envolvem o mercado financeiro do Piauí, do Brasil e do Mundo.

Copa de 2026 deve movimentar US$ 80 bilhões na economia global

Evento deve impulsionar setores como turismo, tecnologia, varejo e serviços
Redação

A  Copa do Mundo de 2026 ocorrerá  nos Estados Unidos, no Canada e no México de 11 de junho a 19 de julho.  Nenhum evento consegue mobilizar tanto a atenção da população global e produzir tamanha riqueza quanto a Copa do Mundo de futebol.

A edição deste ano promete bater todos os recordes de lucratividade e de impacto econômico. Segundo a FIFA, a entidade máxima do futebol, a competição deve movimentar U$  80 bilhões de dólares na economia global. O número representa o volume de transações geradas com passagens aéreas, hospedagem, alimentação, segurança, marketing, tecnologia e logística, entre outros itens. Desse total, U$ 41 bilhões de dólares correspondem a um acréscimo efetivo no PIB mundial — refletido em salários pagos, lucros empresariais e arrecadação de impostos. Parte do valor vem da criação de 824 000 empregos em tempo integral ao longo da cadeia do evento

A própria FIFA  prevê obter receita de quase  U$ 11 bilhões de dólares, bem acima dos  U$ 7 bilhões arrecadados no Catar, sede da última Copa, em 2022. Só para você  imaginar, no universo do esporte, as competições da NFL, a liga de futebol americano, e da MLB, de beisebol, têm faturamento de 19,2 bilhões e 11,6 bilhões de dólares por ano, respectivamente — portanto, mais do que a Copa do Mundo. Mas há uma diferença crucial: esses eventos esportivos se estendem por uma temporada inteira, todo ano.

A Copa do Mundo se dá no intervalo de cinco semanas — e apenas a cada quatro anos.  Uma parte significativa da receita da Fifa virá da venda de ingressos. Pela primeira vez, a federação adotou um modelo de preços dinâmicos, ajustando-os de acordo com a demanda, prática comum em empresas aéreas. Isso não inibiu o interesse dos torcedores. Em apenas 33 dias, eles fizeram mais de 500 milhões de pedidos de ingressos, uma média de 15 milhões por dia. Os países da Alemanha, Inglaterra, Brasil, Espanha, Portugal, Argentina e Colômbia lideram as solicitações fora dos países anfitriões. Como resultado, os ingressos para o jogo da final custam até nove vezes mais do que em 2022, corrigidos pela inflação. Hoje, os bilhetes variam de  R$ 365 reais em jogo na fase de grupos a mais de R$  34 000 reais na decisão no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

A mais cara das Copas também vai ser a maior de todas. O número de seleções participantes aumentou de 32 para 48, e as partidas, de 64 para 104. O efeito é multiplicador: mais ingressos, horas de transmissão, patrocínios, ativações comerciais e deslocamentos internacionais.  A decisão de distribuir o evento entre três países-sede também multiplica seu efeito econômico. Ao espalhar os jogos por dezesseis cidades, a FIFA transformou o torneio em uma operação continental, conectando aeroportos, cadeias hoteleiras, sistemas de transporte, plataformas de mídia e patrocinadores globais em um único circuito econômico., ampliando, portanto,  o alcance geográfico do evento e aumenta o fluxo potencial de torcedores .

A expectativa é de 6,5 milhões de torcedores nos estádios, quase o dobro do registrado no Catar em 2022. A geografia também joga a favor, já que o evento está posicionado entre as duas regiões com maior número de torcedores: a Europa e a América Latina, onde há um fator adicional decisivo: os americanos são os maiores viajantes do planeta para eventos esportivos e, desta vez, estarão em casa, potencializando os gastos na Copa.

Já no Brasil, os efeitos do mundial dos EUA, México e Canadá  são vistos com otimismo  por alguns setores, pois,  em decorrência do torneio, aumenta a demanda do varejo, em especial de eletrodomésticos, vestuários, cosméticos, bebidas e alimentos, ampliando a cadeia produtiva das empresas do setor através do consumo das famílias.

       

Valmir Martins Falcão Sobrinho

Economista

Advogado Tributarista