Copa do Mundo 2026: ataque dos EUA à Venezuela pode violar estatuto da FIFA?
Bombardeio em Caracas e captura de Maduro levantam questionamentos sobre direitos humanos à entidade
Na madrugada deste sábado (03/01), os Estados Unidos anunciaram uma operação militar contra a Venezuela, que teria resultado em bombardeios na capital Caracas e na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, retirados do país por forças norte-americanas, segundo declaração do presidente dos EUA, Donald Trump.
A ação, amplamente divulgada por Trump nas redes sociais como um ataque “bem-sucedido” contra o governo venezuelano, provocou choque internacional e levantou uma nova rodada de questionamentos sobre os princípios que norteiam a governança de grandes eventos esportivos, em especial no contexto da Copa do Mundo em andamento em 2026.
Um dos pontos centrais do debate refere-se à política de direitos humanos da FIFA , que está expressa em seu Estatuto e prevê o compromisso da entidade com o respeito a direitos humanos internacionalmente reconhecidos, condicionando princípios que vão desde a escolha de sedes até o engajamento com governos e instituições estatais ou não-estatais.
Essa linha normativa já foi utilizada no passado para justificar sanções esportivas contra países que violaram normas básicas de respeito e proteção às garantias fundamentais, como ocorreu com a suspensão de clubes e seleções russos de competições internacionais após a invasão da Ucrânia em 2022, aplicando juízos de mérito baseados em critérios de direitos humanos.
No caso venezuelano, críticos apontam que um ataque militar direto que resultou na retirada de um chefe de Estado e de sua primeira-dama pode configurar um episódio de extrema gravidade, cuja relação com a promoção e proteção de direitos humanos contrasta com as diretrizes formais estabelecidas pela FIFA . Observadores sugerem que essa contradição pode pressionar ainda mais a entidade a se posicionar sobre a compatibilidade entre a conduta de Estados-membros e seus compromissos estatutários.
Até o momento, a FIFA não divulgou um posicionamento público formal sobre a ocorrência dos ataques ou a captura de Maduro e Cilia Flores. A ausência de um posicionamento oficial alimenta especulações sobre a forma como a entidade poderá lidar com essa crise, especialmente considerando o contexto de um Mundial em andamento e a visibilidade global que envolve seus eventos.
Enquanto isso, governos e organizações internacionais seguem avaliando as implicações da operação americana na Venezuela. A ação tem sido objeto de críticas por parte de países aliados de Caracas e de grupos de defesa de direitos humanos, que destacam possíveis violações ao direito internacional e à soberania estatal, bem como alertam para os impactos humanitários e políticos em toda a região.