No Conecta Podcast, Dra. Lourdes Veras explica o processo de doação de órgãos
Médica desmistifica o diagnóstico de morte encefálica e reforça a segurança dos protocolosO Piauí tem registrado avanços significativos na área de transplantes, alcançando a marca de 15,3 doações por milhão de habitantes, aproximando-se da média nacional de 20 por milhão. Em entrevista ao Conecta Podcast, a Dra. Lourdes Veras, coordenadora estadual da Central de Transplantes, destacou que o estado já é referência em córneas, superando a média brasileira, e mantém um fluxo constante de transplantes de rins. Segundo a coordenadora, o fortalecimento da rede pública, com destaque para o Hospital Getúlio Vargas (HGV) e o Hospital de Urgência de Teresina (HUT), tem sido fundamental para o acolhimento de famílias e a identificação de potenciais doadores em casos de morte encefálica.
A coordenadora enfatizou que, além da técnica, o fator humano é o que viabiliza a vida. Segundo ela, em casos de morte encefálica, a decisão final cabe aos parentes, o que torna o diálogo em vida essencial. “Os órgãos não são doados [automaticamente]. É necessário esse ato de solidariedade e amor ao próximo para que alguém que esteja perdendo um ente querido possa oferecer a outros a oportunidade da vida”, declarou a Dra. Lourdes. Ela citou como exemplo o caso da pequena Marina, de 7 anos, que comoveu o estado. “O sim da família dessa criança salvou a vida de uma garotinha e de crianças em outros estados. Foi um desfecho feliz de um lado, enquanto uma família se despedia”, diz.
Sobre as dúvidas comuns durante o luto, a Dra. Lourdes esclareceu que o diagnóstico de morte encefálica no Brasil é extremamente rigoroso e seguro. Ela explicou que a recusa familiar muitas vezes nasce da falta de conhecimento ou da dificuldade em aceitar a perda quando o coração ainda bate por aparelhos. “O conceito de morte hoje é cientificamente comprovado. Ninguém que recebeu o diagnóstico de morte encefálica voltou. No Brasil, obrigatoriamente, fazemos exames gráficos que comprovam que não existe mais fluxo para o cérebro”, pontuou, reforçando que o acolhimento da equipe médica é fundamental para que a família se sinta segura na decisão.
Atualmente, o Piauí já realiza transplantes de rins e córneas com regularidade, mas projeta expandir sua capacidade em breve. A meta da Secretaria de Saúde é que o estado passe a realizar transplantes de fígado e coração localmente, fortalecendo a rede que hoje já envia órgãos para todo o país através do Sistema Nacional de Transplantes. Ao finalizar, a doutora deixou um apelo à população. “A doação de órgãos salva vidas. Esperamos que mais famílias se solidarizem para que possamos atender aqueles que estão na lista de espera aguardando esse belo dia”, conclui.
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