Conecta Piauí

Notícias

Colunas e Blogs

Blogs dos Municípios

Outros Canais

TECH

A coluna TECH explora as tendências de tecnologia e inteligência artificial, mostrando como elas transformam o mundo e impactam o nosso dia a dia. Fique conectado!

Startup paga usuários por dados gerados e usados por IA

Drumwave recompensa usuários por dados usados na inteligência artificial
Redação

O empreendedor brasileiro André Vellozo, fundador da Drumwave, lançou oficialmente em julho, nos Estados Unidos, uma startup com um conceito inovador. A empresa promete devolver aos usuários parte do valor econômico gerado pelos seus dados, que são utilizados para treinar inteligências artificiais.

Instalado em Palo Alto, na Califórnia, Vellozo descreve a Drumwave como um "golpe direto" contra as gigantes da tecnologia. A startup tem como objetivo criar uma poupança digital que remunere as pessoas pelas informações geradas durante o uso de aplicativos, transporte por meio de serviços como a Uber ou compras online.

A Drumwave visa compartilhar com os usuários o valor dos terabytes de dados gerados diariamente nas plataformas digitais. Vellozo destaca que, na era da inteligência artificial, esses dados se tornaram um dos ativos mais valiosos do mercado. "As máquinas precisam de cada vez mais dados, mas quem produz dados são as pessoas", afirma ele.

O impacto que se prevê para a inteligência artificial é comparável ao dos computadores pessoais na economia global. Vellozo aponta que o crescimento do PIB global de US$ 8 trilhões para US$ 100 trilhões entre 1977 e 2022 pode se repetir com a IA, potencialmente elevando a economia mundial a US$ 1 quatrilhão nas próximas décadas.

Para Vellozo, a concentração desse valor em poucas empresas é indesejável. "Não quero um mundo em que meia dúzia acumule tudo", afirma. A Drumwave atualmente conta com 108 funcionários no Vale do Silício, incluindo profissionais de empresas como Apple, Google, Nasa, PayPal e eBay.

Os primeiros alvos
A startup concentra seus esforços iniciais em três grupos que Vellozo identifica como possuidores de grande valor oculto em dados. Motoristas da Uber, por exemplo, são incentivados a criar uma "dwallet", onde os dados das viagens seriam acumulados e, posteriormente, monetizados em setores como mobilidade urbana, publicidade e seguros.

Outro foco são os proprietários de carros Tesla, que geram dezenas de terabytes diariamente. A estimativa é que, até 2030, esses dados possam atingir um valor de mais de US$ 10 bilhões por ano.

Além disso, a Drumwave considera os dados genéticos gerados por empresas como a 23andMe, que enfrentou dificuldades financeiras. Para Vellozo, isso demonstra a fragilidade do modelo atual de controle de dados pessoais.

Desafios e oportunidades
A Drumwave promete não compartilhar, vender ou armazenar dados, atuando apenas como intermediária entre indivíduos e empresas. O desafio é convencer usuários de que a remuneração, que pode variar entre R$ 300 e R$ 500 por mês, vale o esforço.

A startup também enfrenta a resistência das gigantes da tecnologia. Embora leis como a LGPD garantam direitos sobre dados pessoais, operacionalizar esse retorno será complexo, reconhece Vellozo.

Piloto no Brasil
O primeiro teste da Drumwave ocorreu no Brasil, em colaboração com a Dataprev. Apresentado no Web Summit Rio, o piloto despertou interesse internacional, atraindo representantes de países como Escócia, Bélgica, África do Sul e Arábia Saudita.

O projeto permite que cidadãos optem por guardar e monetizar seus dados mediante contratos de crédito consignado. Cada uso autorizado gera remuneração, proporcionando um sistema acessível e eficiente, comparável ao Pix do Banco Central.

Patrick Hruby, executivo da Drumwave, acredita que o impacto real se dará quando as pessoas perceberem que podem lucrar com os dados que já produzem diariamente.