COP30 começa hoje em Belém com foco em transição energética e justiça climática
Primeira conferência do clima realizada na Amazônia reúne 50 mil participantesA 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30) começa nesta segunda-feira (10) em Belém (PA), marcando a primeira vez que o evento ocorre na Amazônia. O encontro, que reúne cerca de 50 mil pessoas entre líderes globais, diplomatas, cientistas e ativistas, promete duas semanas de negociações intensas voltadas à crise climática.
As discussões em Belém giram em torno de três eixos principais: transição energética, adaptação climática e financiamento. O Brasil, anfitrião da conferência, pretende liderar o chamado “mapa do caminho” — um plano de metas e responsabilidades que deve definir como os países vão substituir gradualmente combustíveis fósseis por fontes renováveis. A expectativa é transformar compromissos firmados em edições anteriores em ações verificáveis e com prazos definidos.
Entre os temas centrais, destaca-se o debate sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa brasileira que busca remunerar países que mantêm suas florestas em pé por meio de investimentos de renda fixa. Também entram na pauta o fortalecimento dos mercados de carbono e a integração entre justiça social e justiça climática, com atenção especial a comunidades indígenas e populações vulneráveis.
O governo Lula chega à COP30 com a meta de consolidar o Brasil como protagonista global da agenda ambiental e mediador entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. A principal aposta do Planalto é o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis, o “Belém 4X”, que prevê quadruplicar o uso global de combustíveis sustentáveis até 2035. Apesar disso, o país enfrenta críticas devido ao licenciamento recente de blocos de petróleo na margem equatorial.
A conferência é presidida pelo embaixador André Corrêa do Lago, responsável por conduzir as negociações entre mais de 190 países. Já Ana Toni, diretora-executiva da COP30, coordena a estrutura e o andamento das pautas. Os próximos dias serão decisivos para transformar o discurso político em compromissos práticos que possam conter o aquecimento global dentro do limite de 1,5 °C.
Entre os resultados esperados está o fortalecimento das metas climáticas nacionais (NDCs) e o avanço no roteiro da transição energética global. Especialistas alertam que, sem mecanismos financeiros robustos, o esforço coletivo para frear a crise climática pode continuar preso a promessas. Belém, portanto, torna-se o palco onde o mundo decidirá se o discurso da urgência climática finalmente se tornará ação.
Com informações do g1