Piauí registra, em 2025, o menor número de cédulas falsas aprendidas da história
Em relação ao ano anterior, a queda foi de 56%
O dinheiro que circula nas mãos do povo anda cada vez mais invisível. E, ao que tudo indica, também menos falsificado. Em 2025, o Polícia Federal registrou no Piauí o menor número de cédulas falsas apreendidas desde o início da série histórica: foram apenas 1.052 notas retiradas de circulação.
O número impressiona não apenas pela dimensão reduzida, mas pelo contraste. Em relação a 2024, a queda foi de 56%. É como se mais da metade do dinheiro falso tivesse simplesmente evaporado. Mas não se trata de mágica. Trata-se de mudança de hábito.
Desde a criação do Pix, o dinheiro físico perdeu espaço nas feiras, no comércio popular, nas pequenas transações do dia a dia. A transferência instantânea substituiu a cédula dobrada no bolso. Menos papel em circulação significa menos oportunidade para a fraude tradicional.
Os números ajudam a contar essa história. Na última década, foram quase 25,7 mil notas falsas interceptadas pela Polícia Federal no estado. Se colocadas lado a lado, representam quase R$ 1 milhão que tentava circular de forma criminosa na economia piauiense, dinheiro que poderia ter causado prejuízo direto a comerciantes, trabalhadores informais e pequenos empreendedores.
O auge dessa prática ocorreu em 2022. Naquele ano, quase 6,5 mil cédulas falsificadas foram apreendidas no Piauí, o maior volume da série histórica. Era um período de maior circulação de dinheiro físico, pós-pandemia, quando a economia retomava o fôlego e o papel-moeda ainda tinha protagonismo.
De lá para cá, o cenário mudou. A redução progressiva das apreensões indica não apenas a eficiência da repressão policial, mas uma transformação estrutural na forma como o brasileiro lida com o dinheiro. O crime acompanha o fluxo da economia, e quando o fluxo muda, ele precisa se reinventar.
Os dados de 2025 sugerem que a velha prática de espalhar notas falsas no comércio perdeu força no Piauí. Não significa que o crime desapareceu, mas que o campo de atuação se estreitou. No lugar das cédulas falsificadas, o golpe agora é digital, silencioso e muitas vezes invisível. O papel diminuiu. A vigilância precisa continuar.