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Desrespeito persiste, fiscalização aumenta e mortes começam cair nas BRs do Piauí

Dados são referentes ao balanço anual da PRF nas rodovias que cortam o Estado
Redação

É quase uma cena repetida, dia após dia, nas rodovias federais que cortam o Piauí. Um motorista acelera além do permitido, outro ultrapassa onde não devia, um terceiro segue sem capacete ou sem habilitação. O resultado desse comportamento aparece frio nos números, mas quente na vida real: 102.614 autuações aplicadas em 2025 pela Polícia Rodoviária Federal. Na prática, é como se a cada cinco minutos alguém fosse flagrado desrespeitando a lei.

Os dados mostram que o motorista piauiense continua insistindo nos mesmos erros, mesmo sabendo dos riscos. O volume de multas praticamente repete o cenário de 2024, quando foram registradas 103.215 autuações, uma queda discreta de apenas 0,58%, insuficiente para indicar mudança de comportamento.

As infrações mais comuns revelam um retrato conhecido das estradas: veículos sem licenciamento, pessoas conduzindo sem habilitação, motociclistas sem capacete e ultrapassagens proibidas. Atitudes que transformam o trânsito em uma roleta russa diária, especialmente para os mais vulneráveis.

Do outro lado dessa equação está o aumento da presença do Estado. A PRF intensificou as fiscalizações, direcionando operações para horários e trechos com maior fluxo e maior risco, usando dados para antecipar tragédias. E os efeitos aparecem quando o assunto deixa de ser multa e passa a ser vida.

Em 2025, o Piauí registrou 1.487 sinistros de trânsito, uma redução de 2,24% em relação ao ano anterior. Os sinistros graves caíram 3,68%, passando de 625 para 602. Também houve queda no número de ocorrências com mortos e no total de vítimas fatais: 168 mortes, contra 171 em 2024, uma redução de 1,75%.

Os números não celebram uma vitória definitiva, mas contam uma história importante: quando a fiscalização aumenta, o impacto mais duro do trânsito diminui. Menos cruzes à beira da estrada, menos famílias interrompidas pela notícia que ninguém quer receber.

O balanço operacional divulgado pela PRF em 2025 aponta avanços consistentes em segurança viária e fiscalização. Mas deixa claro um alerta incômodo: o problema já não é falta de lei, nem de polícia. É comportamento. Enquanto parte dos motoristas continuar tratando as regras como sugestão, a conta seguirá sendo paga em multas, e, pior, em vidas.