Operação Custodia Naturae faz maior apreensão de madeira ilegal do ano no Piauí
O volume é suficiente para encher quase quatro carretas completas ou erguer dez casas popularesNa beira da estrada, o cheiro da madeira recém-cortada ainda pairava no ar quando os fiscais da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e os agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptaram, em Picos, três caminhões carregados de troncos e tábuas serradas. Eram 131 metros cúbicos de madeira nativa, a maior apreensão do ano no Piauí.
O volume é suficiente para encher quase quatro carretas completas ou erguer dez casas populares inteiras, se fosse utilizado legalmente. Em vez disso, representa o tamanho de um crime ambiental evitado, centenas de árvores que não voltarão a ser arrancadas de suas raízes.
A ação faz parte da Operação Custodia Naturae (“Guarda da Natureza”, em latim)e marca um avanço inédito no combate ao comércio irregular de produtos florestais no estado. Com essa apreensão, o total de madeira ilegal retido pela Semarh em 2025 chega a 424 metros cúbicos, mais de três vezes o volume de todo o ano anterior. Um recorde que traduz, em números, a intensificação da presença do Estado nas estradas e o cerco ao desmatamento clandestino.
De acordo com o gerente de fiscalização da Semarh, José Renato, cada caminhão parado é uma página virada na história da exploração predatória.
“Cada metro cúbico apreendido representa uma barreira a mais contra a degradação das nossas florestas nativas. Estamos fortalecendo a capacidade de resposta e coibindo o avanço da ilegalidade”, afirma.
Durante a operação, os auditores ambientais identificaram divergências nas autorizações florestais, um detalhe técnico que revela a sofisticação de quem tenta dar aparência de legalidade ao que é crime. Para o auditor Eduardo Ganassoli, que participou da ação, o impacto vai muito além da fiscalização.
“Cada metro cúbico interceptado representa a contenção de novos desmatamentos e a desarticulação de cadeias ilegais de exploração florestal. O fortalecimento da fiscalização é hoje uma das principais estratégias para garantir que o uso dos recursos naturais ocorra dentro da legalidade", disse.
Ao final do processo, toda a madeira apreendida será destinada a órgãos públicos e instituições sociais, cumprindo o ciclo da lei — devolvendo à sociedade o que a natureza quase perdeu.
A Custodia Naturae continua nas estradas do Piauí, cruzando serras, chapadas e vales. A meta é clara: impedir que a destruição viaje de caminhão por nossas rodovias. Porque, mais do que números e metros cúbicos, cada apreensão é uma vitória silenciosa da floresta sobre a ilegalidade.