Piauí se destaca no Brasil ao manter baixo o desemprego que se prolonga no tempo
Esse recorte é decisivo para entender a saúde real do mercado de trabalhoOs números ajudam a contar histórias que, à primeira vista, não aparecem. E o mais recente levantamento do Ranking de Competitividade dos Estados revela um dado que merece atenção: o Piauí aparece com o segundo menor índice de desocupação de longo prazo do país.
O indicador integra o pilar Capital Humano e mede o percentual de pessoas que estão há dois anos ou mais sem trabalho em relação ao total de desocupados. No Piauí, essa taxa ficou em 7,5%, atrás apenas do Mato Grosso do Sul, que lidera o ranking com o menor índice nacional. No extremo oposto está o Rio de Janeiro, que concentra a maior proporção de desempregados de longa duração.
Esse recorte é decisivo para entender a saúde real do mercado de trabalho. Quando muitas pessoas passam anos tentando, sem sucesso, retornar ao emprego formal, o alerta se acende. O desemprego prolongado aprofunda desigualdades, enfraquece a qualificação profissional, compromete a renda das famílias e trava o desenvolvimento econômico. Não é apenas ausência de trabalho, é perda de perspectiva.
Por isso, o desempenho do Piauí chama atenção. Um índice baixo de desocupação de longo prazo indica que, mesmo diante das dificuldades históricas e estruturais, o estado tem conseguido recolocar trabalhadores em períodos mais curtos, evitando que o desemprego se transforme em um ciclo permanente de exclusão. É sinal de maior circulação de oportunidades, de algum dinamismo econômico e de um mercado que, ainda que imperfeito, não deixa tanta gente para trás.
O dado não elimina os desafios. O desemprego existe, a informalidade persiste e a qualificação ainda precisa avançar. Mas o tempo importa, e muito. Quanto menor a espera por uma nova ocupação, menores os impactos sociais e maiores as chances de retomada da vida produtiva.
O Ranking de Competitividade deixa claro que capital humano não se mede apenas por diplomas ou anos de estudo. Mede-se também pela capacidade de um território manter suas pessoas conectadas ao trabalho e à esperança. Nesse aspecto específico, o Piauí aparece como um ponto fora da curva positiva em um país onde, para milhões, o desemprego ainda insiste em durar mais do que deveria.