Do Piauí à Rússia: Jovem de 18 anos supera graduados e ensina programação
Estudante de escola pública superou graduados e agora planeja sua própria startup
Aos 18 anos, e ainda cursando o ensino médio, o piauiense Jhonatas Lima Silva, natural de Pedro II conquistou uma vaga de instrutor em uma multinacional russa, onde ensina a linguagem de programação Python para adolescentes do outro lado do mundo. o jovem cursa o terceiro ano do Ensino Médio na Escola Estadual Maria Modestina Bezerra, na zona Sudeste de Teresina.
A trajetória de Jhonatas com a tecnologia começou cedo, movida por uma determinação singular. Aos 11 anos, ele trabalhou durante as férias em uma padaria com um objetivo claro: economizar para comprar seu primeiro computador. No entanto, o contato real com a programação só aconteceu aos 16 anos, após ingressar no ensino médio e se integrar a grupos de competições tecnológicas incentivados pela escola.
A oportunidade na multinacional surgiu através de uma busca ativa na internet. Jhonathas competiu com candidatos que possuíam graduação e pós-graduação na área, mas seu conhecimento técnico e os projetos desenvolvidos na escola falaram mais alto. "Eu tinha que procurar uma vaga que se adequasse ao meu dia a dia", explica o jovem, que hoje gerencia quatro turmas no período da noite, após suas obrigações escolares.
Essa transformação não ocorreu por acaso. O ambiente escolar foi o catalisador que permitiu a Jhonatas descobrir seu potencial. Para Paloma Sousa, professora do curso de jogos digitais e desenvolvimento de sistemas, o desafio vai além do ensino técnico; trata-se de resgatar a motivação dos estudantes. A professora da escola destacou a importância desse suporte diário para que os alunos não deixem passar as chances que surgem.
"Nós, como professores, temos o desafio de motivar diariamente. Geralmente, quando eles chegam aqui no primeiro ano, a maioria vem desanimado e a gente já percebe. Então, a gente tem esse cuidado de conversar, de incentivar, de mostrar as oportunidades que o Estado está oferecendo", explicou.
As aulas, ministradas de forma remota, utilizam uma metodologia lúdica para introduzir a programação. "A gente cria projetos com Python, mini jogos, então é uma forma bem divertida de introduzir a programação", destacou Jonatas. Ele utiliza sua experiência para incentivar os colegas de escola a aproveitarem as estruturas tecnológicas disponíveis atualmente, as quais ele classifica como "surreais" em comparação ao passado.
Prestes a concluir o ensino médio, Jonatas não planeja parar na instrução. Ao lado de seu amigo Gabriel, ele já deu os primeiros passos em uma "mini startup" dentro do ambiente escolar. O projeto principal da dupla é o desenvolvimento de um jogo voltado para a aprendizagem de idiomas, unindo educação e entretenimento.
O plano agora é ingressar no ensino superior para aprofundar os conhecimentos técnicos e dedicar-se integralmente ao aplicativo. "Nosso foco mesmo é criar uma startup de jogos voltada à aprendizagem de idiomas", revelou Jhonatas, demonstrando que o jovem que começou em uma padaria em Pedro II agora tem o mundo — e o código — em suas mãos.