Bloquinho leva acolhimento a crianças no tratamento contra câncer no São Marcos
Ação levou música, cores e leveza às crianças em tratamento em TeresinaDentro da programação da Semana Internacional de Conscientização para a Prevenção do Câncer na Infância, celebrada mundialmente nesse domingo (15/02), o Hospital São Marcos, em Teresina, promoveu mais uma edição do tradicional Bloquinho Ala Laô. A ação, realizada de forma antecipada na última quinta-feira (12/02), transformou o ambiente hospitalar com música, cores e momentos de descontração para pacientes, acompanhantes e colaboradores.
Mais do que uma celebração carnavalesca, o evento teve como foco o cuidado emocional e o bem-estar das crianças em tratamento. A iniciativa reforça a importância da humanização no ambiente hospitalar, especialmente em contextos delicados como o enfrentamento do câncer infantil. E a equipe de reportagem do Conecta Piauí esteve presente acompanhando esse momento de solidadriedade.
Durante a ação, os corredores ficaram repletos de cores, sorrisos no rosto e muita esperança em cada canto do hospital. Pais e mães ao lado de seus filhos motivados a ser um ponto de conforto nos tratamentos de cada um deles.
A dona de casa Cícera Alexandria, de Esperantina (PI), destacou o acolhimento recebido pela família e a relevância de ações como essa durante o tratamento. “A gente foi muito bem acolhido, muito bem mesmo. Toda a equipe médica, todas as enfermeiras. Esse acolhimento é muito importante. E hoje tivemos essa folia para animar aqui o hospital”, relatou. Para ela, momentos de leveza fazem diferença na rotina. “A gente sabe que é um momento não tão fácil. Ter eventos como esses ajuda a deixar o tratamento muito mais leve e as crianças mais felizes.”
Caroline Cruz, mãe da pequena Amanda, em tratamento há quatro meses, também ressaltou o atendimento recebido desde a chegada ao hospital. “A gente está sendo muito bem acolhida por toda a equipe, do porteiro para cima. É um atendimento excelente. Tudo que a gente precisa, a gente encontra aqui”, afirmou. Em meio à batalha contra a leucemia da filha, ela demonstra confiança. “A gente tem fé que este é o lugar certo para ela estar fazendo todo esse tratamento.”
A história de Valdeniza de Souza, mãe de Betina, revela os desafios enfrentados por muitas famílias que precisam se deslocar em busca de assistência especializada. “O acolhimento aqui é muito bom, todo mundo trata a gente muito bem. Desde que chegamos, fomos muito bem recebidas”, contou. Sobre o diagnóstico, ela lembra a dificuldade do momento. “Foi um período muito difícil. Viemos de uma cidade bem distante. Houve uma suspeita em outro hospital, e de lá fomos transferidas para cá.”
Além do cuidado clínico, o suporte psicológico é peça fundamental durante todo o processo. A psicóloga Nathalia Gomes explica que o impacto emocional do diagnóstico é inevitável e precisa ser acolhido. “São familiares que não pensam no adoecimento do filho. É difícil imaginar o bem mais precioso adoecendo. Esse sofrimento é totalmente condizente e não é sinal de fraqueza”, pontuou.
Segundo a especialista, o câncer infantil exige atenção redobrada justamente porque os sintomas podem se confundir com doenças comuns da infância. “O olhar atento dos pais e cuidadores é essencial. O câncer mais comum na infância é a leucemia, que pode se manifestar com sinais como anemia persistente, febre recorrente, palidez, manchas roxas e linfonodos aumentados”, alertou. Nathalia reforça a importância da investigação médica. “É fundamental procurar atendimento e realizar exames simples, como o hemograma, que podem levantar suspeitas mais precoces.”
A mobilização em torno do 15 de fevereiro busca exatamente isso: ampliar o debate, incentivar o diagnóstico precoce e fortalecer a rede de apoio às crianças e famílias. Enquanto a ciência avança, gestos de acolhimento e iniciativas de humanização seguem desempenhando um papel essencial na jornada de quem enfrenta a doença.