Agronegócio vê impacto no acesso ao mercado chinês após nova tarifa na carne
Essa medida aplica-se caso as importações excedam uma determinada cotaEntidades representativas do agronegócio brasileiro estão avaliando o impacto da decisão da China de impor uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina. Essa medida aplica-se caso as importações excedam uma determinada cota, o que pode mudar significativamente o acesso ao mercado chinês.
Em uma nota conjunta, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destacaram a necessidade de reorganizar os fluxos de produção e exportação para minimizar os impactos negativos.
"A aplicação das medidas de salvaguarda pela China altera as condições de acesso e requer ajustes em toda cadeia de produção", afirmaram a Abiec e a CNA. As entidades também estão colaborando com o governo brasileiro e as autoridades chinesas para mitigar os efeitos da tarifa sobre os pecuaristas e exportadores.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) também expressou preocupação com a nova tarifa, apontando-a como um risco imediato ao desempenho das exportações brasileiras. Segundo a Abrafrigo, a decisão chinesa foi influenciada por pressões internas para proteger os produtores locais que enfrentam dificuldades desde 2023.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, revelou ao CNN Money que o Brasil pretende negociar com a China para assumir cotas de países que não as utilizem. Ele destacou que o país está preparado para fornecer carne de qualidade sem tarifas adicionais.
Fávaro também mencionou que o governo brasileiro já estava ciente das medidas de salvaguarda chinesas devido ao excesso de oferta no mercado local. Ele explicou que a cota de importação foi estabelecida com base em dados entre junho de 2024 e junho de 2021, resultando em uma cota de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil, equivalente a 44% das importações sem tarifas adicionais.
Apesar das novas tarifas, o ministro acredita que o Brasil está bem preparado para enfrentar esses desafios comerciais e que as negociações com a China continuarão em 2026, com o objetivo de ajustar detalhes operacionais das cotas.