‘É a raposa cuidando do galinheiro’, diz Fábio Novo sobre gestão do Setut
'Eu não entendo que amor é esse que a prefeitura de Teresina tem com o Setut', declarou"É a raposa cuidando do galinheiro", foi a analogia que o deputado estadual Fábio Novo (PT) usou nesta quarta-feira (27) para descrever a relação do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) com a gestão do transporte público na capital piauiense.
A crítica do presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) está centrada no fato de o Setut operar e fiscalizar as linhas do transporte público de Teresina. Em outra ocasião, Novo afirmou que "faltava coragem" ao prefeito Silvio Mendes (União Brasil) para romper com este modelo atual.
"Sem sombra de dúvida, é raposa por dentro do galinheiro. Presta atenção, tu é dono de uma empresa, eu te dou uma linha pra tu rodar em Teresina e tu vai fiscalizar a linha. Então tu manda a conta que tu quiser pra prefeitura de Teresina. E eu não entendo que amor é esse que a prefeitura de Teresina tem com o Setut. É um amor que não acaba", destacou.
À imprensa, Fábio Novo também criticou o aumento do subsídio para o Setut, anunciado pelo prefeito Silvio Mendes, que vai custear o transporte público. Segundo o deputado, há uma contradição na conta matemática. Na gestão anterior, Teresina pagava cerca de R$ 4 milhões e mantinha aproximadamente 270 ônibus em circulação. Atualmente, com o anúncio recente, o repasse chegou a R$ 6,3 milhões, mas a frota reduziu para 213 veículos.
O parlamentar disse ainda que vai acionar o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para fiscalizar o repasse da Prefeitura ao Setut.
"[E por que o Tribunal de Contas do Estado não fiscaliza] Eu vou solicitar agora, porque eu estou estarrecido. Há duas semanas atrás, o prefeito de Teresina disse que não daria nenhum aumento novo de subsídio. É um subsídio que é mal fiscalizado, que fica na mão do Setut, que ele mesmo é quem fiscaliza esse subsídio. O dinheiro é público. Quem tem que fiscalizar esse recurso é a prefeitura de Teresina, que se recusa a fiscalizar. Nós já vamos com um novo aumento de subsídio sem fiscalizar esse subsídio. É uma conta que não fecha. A prefeitura vai gastar esse ano, repito, R$ 75 milhões de reais. É dinheiro jogado fora para um serviço de péssima qualidade na capital", concluiu.
O Outro Lado
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) esclareceu que o subsídio mensal é necessário e está previsto no contrato. O recurso deve cobrir a “baixa arrecadação” da empresa em razão da “evasão” do fluxo de passageiros que passaram a buscar novos meios de transporte, esclareceu o comunicado.
Confira a Nota na Íntegra
O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) esclarece que o repasse de subsídio mensal pelo poder público é necessário e contratualmente obrigatório, principalmente em um cenário de baixa arrecadação advinda dos usuários, via catraca, ocasionada pela evasão do fluxo médio de passageiros, pela chegada de novos meios de transporte, pelas gratuidades e pelo congelamento do valor da tarifa desde 2019.
O valor mensal anterior, de R$ 6 milhões, já se encontrava abaixo da necessidade operacional, sendo afetado pelo aumento dos combustíveis e dos custos gerais do sistema, o que ocasionou instabilidade operacional e adequações temporárias da frota em circulação. Mediante as negociações com o sindicato laboral, entendeu-se como necessário o incremento de mais R$ 321 mil para assegurar a continuidade da operação do sistema e atender às reivindicações dos trabalhadores.
O SETUT ressalta ainda que a análise do transporte coletivo não pode se limitar à comparação isolada entre o valor do subsídio e a quantidade de veículos em circulação, considerando fatores como custos operacionais, quilometragem rodada, manutenção da frota, gratuidades e variação do número de passageiros. O sindicato reafirma sua disposição ao diálogo e à transparência na construção de soluções para a preservação e melhoria do transporte coletivo de Teresina.