'Chico Trader' se manifesta, nega fuga e isenta namorada e amigos de golpe
Investigado divulgou vídeo afirmando que nunca esteve foragido e assume responsabilidade pela XtremeO empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva, mais conhecido como "Chico Trader", investigado no âmbito da Operação Extrema Confiança, divulgou um vídeo nas redes sociais em que apresenta sua versão sobre o caso envolvendo a empresa Xtreme Trader. Na gravação, ele afirma que nunca esteve foragido da justiça, assume toda a responsabilidade pela empresa e pede que a companheira e outros investigados não sejam responsabilizados pelo suposto esquema.
Logo no início do vídeo, Chico Trader contesta a informação de que teria fugido das autoridades e afirma que deixou a cidade onde morava por receio de sofrer represálias. "Em nenhum momento eu estive foragido da polícia, até porque não tinha mandado de prisão para mim. Eu só realmente saí da cidade onde eu morava por questão de represálias, para proteger a minha vida e a vida dos meus familiares".
Segundo ele, durante as investigações prestou depoimento por videoconferência e manteve seus advogados à disposição da Polícia Civil para qualquer novo esclarecimento. "O delegado tinha o contato dos meus advogados e, se quisesse falar comigo ou solicitar minha presença, era só mandar uma mensagem ou uma ligação que eu estaria à disposição".
O investigado afirma ainda que decidiu se apresentar espontaneamente assim que tomou conhecimento da expedição do mandado de prisão contra ele e contra sua companheira, Kayra Cardoso Guimarães.
Assume responsabilidade pela empresa
No vídeo, Chico Trader também declara que era o único responsável pela gestão da Xtreme Trader e afirma que a eventual falência da empresa deve ser atribuída exclusivamente a ele. "Eu era a única pessoa da Xtreme. Eu que operava, eu que fazia a gestão. Então toda responsabilidade sobre a empresa é minha. Se ela veio à falência, eu sou o responsável".
Ele também negou a participação da namorada e de outros investigados na administração da empresa. "A minha namorada Kayra não tem nada a ver com a negociação da Xtreme. Ela não sabia como funcionava e nem usufruiu de algum valor da empresa".
Sobre os demais investigados, Francisco afirmou que apenas confiavam em seu trabalho. "O Hélison falava da empresa por amizade e confiança em mim. O Igor também operava na Xtreme por confiar na minha pessoa. Não tem responsável além de mim".
Ao final da gravação, ele classificou o caso como uma falência empresarial e disse esperar que os fatos sejam esclarecidos ao longo das investigações.
"É uma falência empresarial que será esclarecida no decorrer das investigações. Espero que dê tudo certo", completou.
Polícia afirma que dinheiro foi perdido
A declaração de Chico Trader ocorre dias após o delegado Luciano Evangelista, responsável pela Operação Extrema Confiança, revelar que o investigado afirmou, em depoimento, que todo o dinheiro investido pelas vítimas foi perdido em operações na bolsa de valores.
Segundo o delegado, até o momento não foram localizados recursos suficientes para ressarcir os investidores.
"Nessa nova oitiva dele, ele deixou bem claro que os valores das vítimas foram todos perdidos em operações na bolsa de valores. Ou seja, não existe valor até o momento para ressarcimento de nenhuma vítima", afirmou Luciano Evangelista.
Prejuízo investigado ultrapassa R$ 600 milhões
A Operação Extrema Confiança investiga um suposto esquema de pirâmide financeira que, segundo a Polícia Civil, pode ter causado prejuízo superior a R$ 600 milhões. As investigações apontam que cerca de 400 investidores foram atraídos pela Xtreme Trader com a promessa de rentabilidade de até 10% ao mês, percentual considerado incompatível com o mercado financeiro.
Além de Francisco, outras duas pessoas foram presas durante a operação. A Polícia Civil segue apurando a participação de cada investigado e o destino dos recursos movimentados pela empresa.
As declarações divulgadas por Chico Trader representam a versão apresentada pelo investigado e serão analisadas no curso das investigações e do processo judicial.