DPCA apura suposta gravidez de suspeita de tentar levar recém-nascida em Teresina
Segundo a polícia, a mulher teria sido submetida a um exame que não identificou presença de um fetoA Polícia Civil investiga uma suposta gravidez da técnica de enfermagem, identificada como Auricélia de Sousa Rocha, presa nesta quarta-feira (08/07) por suspeita de tentar retirar um recém-nascido da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina. As autoridades apuram a possibilidade de uma gravidez psicológica ou uma perda gestacional.
A mulher foi localizada no Hospital Areolino de Abreu, onde estava internada, e presa no momento em que recebia alta hospitalar. Informações reunidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) indicam que ela teria afirmado estar grávida e que o suposto pai da criança não sabia da possível perda do bebê, que, segundo a apuração preliminar, teria ocorrido cerca de três meses antes.
Conforme o delegado Hugo Alcântara, levantamentos iniciais indicam que a residência da investigada já estaria preparada para receber um bebê. Além disso, testemunhas relataram que ela teria organizado um chá de bebê e se apresentava com aparência compatível com uma gestação.
“Ela relatou que a suposta autora teria feito até um chá de fralda, e que apresentava uma barriga gestacional e até então todos acreditavam, mas a gente não tem essa informação se realmente em algum momento ela esteve grávida ou se foi uma gravidez psicológica desde o princípio”, concluiu.
Segundo informações obtidas durante a investigação, a suspeita teria sido submetida a um exame realizado pela unidade de saúde do trabalho da maternidade. Conforme relato prestado por uma testemunha à polícia, o resultado não identificou a presença de um feto. O exame não descarta uma possível perda gestacional anterior.
“Segundo a testemunha, a suposta autora foi submetida a exames feitos pela unidade de saúde do trabalho da maternidade. E lá, segundo a testemunha que foi ouvida, que foi justamente a enfermeira, ela relatou que tomou conhecimento depois que o exame constatou que não havia feto”, informou.
A linha investigativa pode trabalhar com a hipótese de um crime premeditado. Os investigadores buscam esclarecer se a investigada realmente chegou a gestar um bebê e quais circunstâncias antecederam a tentativa de retirada do recém-nascido da maternidade.
As investigações apontam ainda que a mulher era funcionária da unidade hospitalar, embora não estivesse escalada para trabalhar no dia da ocorrência. Ela teria alegado que compareceu ao local para resolver questões administrativas, utilizava a farda da instituição e, por possuir livre acesso às dependências da maternidade, conseguiu se aproximar do recém-nascido antes de colocá-lo na bolsa.
Paralelamente, a defesa da enfermeira Ingrid Ohana Gomes da Cruz Galvão, supervisora citada no caso, informou que a profissional não possui qualquer envolvimento na ocorrência. Segundo os advogados, ela desempenhava normalmente suas funções no momento do episódio, colaborou com os protocolos internos de segurança e auxiliou nas providências adotadas pela maternidade após a denúncia.
Nota da defesa de Ingrid
A defesa da Sra. Ingrid Ohana Gomes da Cruz Galvão, enfermeira supervisora da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, vem a público esclarecer que a profissional não possui qualquer participação na tentativa de retirada irregular de um recém-nascido ocorrida na unidade hospitalar no dia 06 de julho de 2026.
No momento da ocorrência, Ingrid encontrava-se no exercício regular de suas funções, atuando como profissional de enfermagem da unidade e colaborando com a adoção dos protocolos internos de segurança e com as providências destinadas à contenção da situação.
Apesar disso, sua imagem foi divulgada em reportagens sobre o caso de forma capaz de induzir o público à equivocada compreensão de que teria participado da prática criminosa, o que não corresponde à realidade.
Os fatos estão sendo regularmente apurados pelas autoridades competentes, e a própria Sra. Ingrid compareceu espontaneamente à Delegacia de Polícia para prestar todos os esclarecimentos solicitados, reafirmando sua total colaboração com as investigações. Conforme boletim de ocorrência por ela registrado, sua imagem passou a ser indevidamente associada ao crime após acusações formuladas por terceiros e posteriormente reproduzidas pelos veículos de comunicação.
A defesa confia que a apuração oficial esclarecerá integralmente os acontecimentos e demonstrará a ausência de qualquer envolvimento da profissional na prática investigada.
Diante disso, solicita-se que a presente nota seja divulgada com o mesmo destaque conferido à reportagem anteriormente publicada, em respeito ao dever de informação, ao direito de resposta e aos direitos da personalidade da Sra. Ingrid Ohana Gomes da Cruz Galvão.
Tamires Silva Rodrigues
Advogada – OAB/PI nº 17.114