Jornalista denuncia agressões de ex-companheiro policial militar em Teresina
Vítima relata violência física, ameaças com arma e cárcere dentro de residênciaA jornalista Jordânia Carvalho denunciou ter sido vítima de agressões físicas, ameaças e cárcere privado dentro da residência onde morava com o companheiro, o policial militar Gabriel Veras Tomaz Silva. O caso ocorreu no domingo (26), em Teresina.
Segundo relato da vítima, na manhã do ocorrido ela estava na casa onde vivia com o agressor, com quem mantinha um relacionamento que já estava em processo de separação. Os dois eram namorados, moravam juntos há cerca de cinco a seis meses e se conheciam desde 2022.
A jornalista afirmou que já havia um histórico de ameaças, agressões verbais e psicológicas por parte do policial, mas nunca havia denunciado por medo.
Ainda conforme o relato, após acordarem, ela se levantou para preparar o café. Ao retornar ao quarto e deitar-se ao lado do agressor, ele iniciou as agressões, apertando seu pescoço e afirmando que seria a última vez que ela estaria ali, ordenando que fosse embora, apesar da porta do apartamento estar trancada.
A partir desse momento, entre 13h e 13h30, teve início uma sequência de agressões físicas. A vítima relata que foi estrangulada diversas vezes, teve a cabeça batida contra o chão e paredes, teve o braço prensado na porta e a cabeça imobilizada contra o sofá. Segundo ela, o agressor também empurrou sua cabeça com os pés contra o braço do sofá até que urinasse nas próprias roupas.
A jornalista afirma ainda que o agressor tentou forçar sua cabeça em suas partes íntimas. Em determinado momento, ela foi arrastada até o banheiro, onde foi molhada e mantida sob o chuveiro contra sua vontade.
Na tentativa de se defender, a vítima conseguiu atingir o rosto do agressor, puxando seus óculos, tentou arranhar seus olhos e utilizou um carregador para se proteger.
As agressões continuaram no quarto e no corredor. De acordo com o relato, o agressor estava armado e, ao perceber a arma, a vítima tentou impedir que ele permanecesse com ela, mas não conseguiu. Em seguida, ele passou a ameaçar a própria vida e a da jornalista.
Ainda segundo a vítima, o policial continuou manipulando arma e munições dentro da residência e fazendo ameaças. Em determinado momento, foi até a varanda afirmando que iria se acalmar. A jornalista chegou a fechar a porta, mas ao reabri-la, após ele dizer que iria embora, as agressões recomeçaram no quarto.
Em outro momento, a vítima conseguiu se trancar no banheiro enquanto o agressor tentava abrir a porta. Ele chegou a jogar munições para dentro do cômodo, afirmando que não estava mais armado.
Depois disso, o agressor deixou a jornalista trancada e retornou apenas para jogar as chaves e o celular dentro do banheiro, afirmando que ela poderia ligar para quem quisesse, mas que não abriria a porta e que nada aconteceria.
A vítima conseguiu enviar mensagens pedindo ajuda para familiares e grupos de jornalistas já durante a noite. Antes disso, também havia acionado o número 190.
Enquanto isso, o agressor entrou em contato com familiares e grupos policiais, alegando que a vítima não aceitava o término do relacionamento.
A jornalista permaneceu trancada até a chegada da polícia. Somente nesse momento o agressor abriu a porta. Ao entrarem na residência, os policiais retiraram a vítima do local, enquanto o suspeito permaneceu no imóvel e interagiu com a equipe e, posteriormente, com colegas.
O caso deve ser investigado pelas autoridades competentes.