‘Não era pra ter saído viva’: ex-patroa relatou como torturou doméstica no MA
A empresária foi presa na zona Leste de Teresina; uma segunda pessoa teria participado das agressõesUm suposto áudio vazado expôs como ocorreram as agressões da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, contra uma empregada doméstica grávida no município de Paço do Lumiar, no Maranhão. A mulher suspeita de tortura foi presa na manhã desta quinta-feira (07/05), no bairro São Cristóvão, zona Leste de Teresina.
O áudio foi gravado pela própria suspeita e inserido no inquérito conduzido pela Polícia Civil do Maranhão revelam que familiares de Carolina Sthela haviam deixado a residência momentos antes do início das agressões. Logo em seguida, um homem não identificado, apontado como “amigo” da empresária chegou no local portando uma arma de fogo.
“Ele já veio com uma jumenta de uma arma, chega brilhava. Aí eu disse: ‘Samara faz favor, vem cá. Ontem sumiu meu anel, você sabe, né? Aqui não entrou ninguém de fora, só a gente, a única pessoa estranha é você. E meu anel não tem perna e nem asa para andar voando. Então, eu quero que você vá pegar meu anel de onde você botou, para a gente não ter problema, para terminar isso de boa”, relatou.
A partir da chegada dessa segunda pessoa, as sessões de tortura iniciaram, motivados pelo sumiço de uma joia, a qual Carlina Sthela acusou a empregada de ter roubado o pertence. Logo em seguida, o homem sacou a arma de fogo e começou a agredir a empregada doméstica, colocando-a de joelhos e, conforme os relatos, chegando a colocar a arma na boca da vítima.
“Ele puxou a bicha [arma] e botou na cabeça dela. Pegou no cabelo, botou ela de joelho, puxou a bicha e botou na boca dela”, descreveu.
Em outro trecho do áudio, a empresária chega a ironizar a situação e afirma que a vítima não deveria ter sobrevivido às agressões. “A Carol dos velhos tempos voltou assim: florescendo. Dei tanto nessa mulher, eu dei tanto que até hoje minha mão está aqui inchada. Não era nem para [ela] ter saído viva”.
Finalizando os relatos, a agressora afirmou que uma viatura de polícia parou na residência onde ocorreram as agressões e somente não foi conduzida para delegacia pois o oficial que se apresentou seria um conhecido dela. Ainda conforme Carolina Sthela, o policial a aconselhou a não confessar o crime.
“Eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir para a delegacia, porque ela tá cheia de hematoma’. Aí eu disse: ‘Era para ter ficado era a mais, não era nem para ter saído viva’. Aí ele se acabou de rir. [...] Ele: ‘tu não pode dizer que tu bateu, tu não pode confessar, tu é doida’.