Sargento Mota é expulso da PM após condenação por furto de 'Malbec' em Teresina
Na decisão, também foi considerado que o militar teria ingressado na casa da vítima sem mandadoO comandante-geral da Polícia Militar do Piauí, tenente-coronel Scheiwann Lopes, determinou nessa terça-feira (24/02) a exclusão do Sargento Mota dos quadros da corporação. A decisão administrativa ocorre após a condenação do militar a 4 anos, 2 meses e 12 dias de prisão em regime semiaberto pelo furto de um perfume Malbec ocorrido em fevereiro de 2023, na zona Sul de Teresina.
No ato que formaliza o desligamento, o comando aponta a prática de transgressões disciplinares consideradas graves, entre elas a apropriação de bem particular, o uso da condição de policial militar para obtenção de vantagem pessoal, o desgaste da imagem institucional em razão de crime doloso e a danificação de patrimônio privado. Também foram mencionadas violações a deveres éticos e a valores militares previstos no Código de Ética e Disciplina da corporação.
Na mesma decisão, foi aplicada suspensão de 30 dias ao sargento Wellington da Silva, que estava com Mota no momento do furto. O corregedor da PM, coronel Newmarcos, informou que o ato será encaminhado ao governador do Piauí, Rafael Fonteles, para as providências cabíveis.
Condenação na Justiça Militar
A sentença foi proferida pelo juiz Raimundo José de Macau Furtado, da Vara Militar, em 15 de outubro. Inicialmente fixada em 3 anos e 6 meses de reclusão, a pena foi aumentada após o reconhecimento de agravante por abuso de poder e violação de dever inerente ao cargo. A decisão considerou que o militar teria ingressado na residência da vítima sem mandado judicial e utilizado chave falsa para cometer o crime.
Conforme a sentença, as provas reunidas demonstraram de forma consistente que o acusado praticou furto qualificado, agindo de maneira consciente e deliberada, além de tentar ocultar a conduta mediante a destruição de câmeras de segurança do imóvel. Não foram identificadas circunstâncias que excluíssem a ilicitude ou a culpabilidade.
Apesar da condenação, como o réu respondeu ao processo em liberdade, foi determinado que cumpra a pena em regime semiaberto, permanecendo solto enquanto não houver outro motivo para prisão.
Repercussão e outros desdobramentos
O caso ganhou ampla repercussão à época por envolver um policial com forte presença nas redes sociais. A vítima relatou que o sargento teria entrado em sua residência no dia 15 de fevereiro de 2023 e subtraído um perfume da marca O Boticário. Meses depois, segundo a denúncia, um policial retornou ao imóvel e efetuou disparo contra a câmera de segurança, danificando o equipamento.
Além desse episódio, o militar também foi alvo da segunda fase da Operação Jogo Sujo II, deflagrada em outubro de 2024, que investigou a divulgação de jogos de azar ilegais nas redes sociais. Ele chegou a ser detido na ocasião, quando equipamentos eletrônicos e objetos pessoais foram apreendidos. Com mais de 257 mil seguidores, teve o perfil suspenso por decisão judicial durante o andamento das investigações.
Com a exclusão oficializada, o agora ex-sargento deixa definitivamente a corporação enquanto responde às consequências penais e administrativas dos fatos.