Protesto: moradores denunciam omissão da Prefeitura em mudanças na rua Rui Barbosa
Comerciantes e moradores do São Joaquim reclamam de impactos no trânsito e no comércio
Moradores e comerciantes do bairro São Joaquim, na zona Norte de Teresina, realizaram um protesto na manhã desta semana contra as alterações no trânsito da rua Rui Barbosa. A via passou a operar em sentido único, Norte/Centro, dentro de um novo esquema viário implantado pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) desde o início de fevereiro.
A principal reclamação é sobre a redistribuição das faixas. Das três existentes, duas foram destinadas exclusivamente para ônibus, que continuam circulando nos dois sentidos. Com isso, restou apenas uma faixa para carros e motos, posicionada ao lado das calçadas, o que também inviabilizou o estacionamento em frente aos estabelecimentos comerciais.
Durante o ato, o morador e liderança comunitária Roberto Gomes, conhecido também como humorista Kátia Picolé afirmou que a mudança pode trazer prejuízos significativos para quem vive e trabalha na região.
“É contra essas mudanças que vão enterrar, vão matar a Rua Rui Barbosa. Aqui é um comércio de mão dupla, uma via bem movimentada. Não comporta duas faixas para ônibus e apenas uma para carros. Quem vem da Zona Norte para o Centro e retorna para bairros como Santa Maria e Itaperu precisa dessa via. Essa mudança vai gerar ainda mais transtorno”, declarou.
Segundo ele, além dos impactos econômicos, há preocupação com a segurança no trânsito. Roberto citou o registro recente de um acidente envolvendo uma ciclista na região e teme que a nova organização viária agrave os riscos.
Durante o protesto, a comerciante Cristina Fernandes relatou preocupação com o impacto direto nas vendas e na sobrevivência dos empreendimentos locais. Segundo ela, a mudança pode reduzir drasticamente o fluxo de clientes, já que os motoristas não poderão mais trafegar nos dois sentidos.
“Se isso acontecer, o comércio vai parar. A gente não tem nem como estacionar para descarregar mercadoria. E como é que a gente vai viver se acabar o movimento? É daqui que a gente sustenta a família”, desabafou.
Cristina também questionou a falta de diálogo por parte do poder público. De acordo com a comerciante, os trabalhadores da região não foram consultados antes da implantação das alterações.
“Nós pagamos impostos como qualquer outro comerciante. Se não pagar, a loja fecha. Mas para decidir uma mudança que afeta todo mundo, ninguém chama para conversar. Chega, faz e pronto”, afirmou.