Veja avalia gestão de Chico Lucas no Piauí e aponta desafios na Segurança Nacional
Ex-secretário do Piauí assume função nacional após gestão marcada por queda nos crimes
RedaçãoA revista Veja publicou uma análise sobre a saída do advogado e ex-procurador do Estado Chico Lucas do comando da Secretaria de Segurança Pública do Piauí para assumir o cargo de secretário nacional de Segurança Pública no governo federal. Segundo a publicação, a nomeação ocorre após a gestão do piauiense ganhar projeção pelos resultados obtidos no enfrentamento à criminalidade no estado.
De acordo com a reportagem, o Piauí passou a ser citado como um contraponto dentro do próprio campo político do qual faz parte, especialmente em relação a estados como Ceará e Bahia, que enfrentam quadros mais críticos na área da segurança. Especialistas ouvidos pela revista atribuem esse desempenho a uma condução mais técnica, com melhor organização das forças policiais e uso intensivo de inteligência.
Dados oficiais mencionados pela Veja indicam que o número de mandados judiciais cumpridos no estado saltou de 310, em 2022, para 1.296 em 2025. Para o antropólogo e especialista em segurança pública Arnaldo Eugênio, o período foi marcado por uma profissionalização das corporações, com integração de bancos de dados, investimentos em tecnologia e foco em ações estratégicas.
Entre as iniciativas de maior repercussão está o programa Meu Celular de Volta, que permite o cadastro e rastreamento de aparelhos roubados ou furtados. A experiência piauiense inspirou a criação do programa federal Celular Seguro. Em três anos, o furto de celulares no estado caiu 53%, e mais de 14 mil aparelhos foram recuperados e devolvidos aos proprietários.
Apesar dos resultados positivos, a revista destaca que Chico Lucas assume o novo posto com uma série de desafios imediatos. Entre eles estão a coordenação nacional do combate ao crime organizado, a redução dos índices de feminicídio, o controle da circulação ilegal de armas e o avanço da chamada PEC da Segurança Pública, que tramita no Congresso Nacional.
Outro ponto considerado central é o enfrentamento ao crescimento das facções criminosas. No Piauí, a estratégia incluiu ações de descapitalização desses grupos, aceleração de investigações e maior agilidade nos processos judiciais. “Quem exerce poder contra a população precisa ser responsabilizado”, tem defendido o gestor.
Quando assumiu a Secretaria de Segurança do Piauí, em 2022, o estado registrava 732 homicídios naquele ano. Desde então, os indicadores apresentaram queda significativa, com redução de 34% nos homicídios, diminuição de 44% nos casos de latrocínio e recuo de 26% na letalidade policial.
Com a chegada de Chico Lucas ao governo federal, a expectativa, segundo a Veja, é que o modelo implantado no Piauí sirva de referência para outras regiões do país, com prioridade para inteligência policial, integração de sistemas, reforço do efetivo, monitoramento tecnológico e foco na responsabilização criminal.