Congresso do Peru destitui José Jerí após quatro meses no cargo
Parlamento aponta má conduta funcional; novo presidente será eleito e país terá eleições em abrilO escândalo que levou à queda de José Jerí ficou conhecido como “Chifagate”, em referência a um termo local associado a restaurantes chineses. O caso veio à tona em janeiro, quando o então presidente foi flagrado por câmeras chegando discretamente, durante a noite e usando capuz, a um restaurante para se reunir com o empresário chinês Zhihua Yang. O encontro, que não foi divulgado oficialmente, envolvia um empresário com atuação no comércio e concessão ligada a um projeto de energia no país.
José Jerí havia assumido a presidência em outubro, após o Congresso do Peru destituir por unanimidade sua antecessora, Dina Boluarte. À época, partidos de direita que sustentavam o governo retiraram apoio diante de denúncias de corrupção e do aumento da criminalidade, agravando a crise política. Como Boluarte não possuía vice-presidente, Jerí, então presidente do Congresso, passou a ocupar o cargo de chefe do Executivo de forma interina.
Foi justamente essa condição temporária que permitiu sua remoção. Diferentemente de um processo de impeachment, que exige ao menos 87 votos entre os 130 parlamentares, o Congresso optou pela censura, mecanismo que retira o cargo de presidente do Legislativo com maioria simples. Com isso, Jerí perdeu automaticamente o posto de presidente do país. Após a votação, ele declarou que respeitaria a decisão dos parlamentares.
Com a vacância, surgiu um novo impasse. Embora o atual presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, estivesse constitucionalmente na linha sucessória, ele recusou assumir a Presidência da República. Diante disso, os deputados precisarão eleger um novo presidente do Congresso, que automaticamente passará a comandar o país.
Rospigliosi informou que os partidos têm até as 18h (horário local) para apresentar seus candidatos e que a votação ocorrerá nesta quarta-feira (18). O cenário remete à crise de 2020, quando Francisco Sagasti foi escolhido pelo Congresso para assumir a Presidência em meio a protestos, após o breve mandato de cinco dias de Manuel Merino.