Carbono Oculto: deputado citado em áudios sobre emendas é sócio de Ciro Nogueira
Reportagem do ICL Notícias aponta que deputado Júlio Arcoverde aparece em mensagens apreendidas
RedaçãoUma reportagem publicada pelo ICL Notícias, assinada pela jornalista Alice Maciel, revelou que o deputado federal Júlio Arcoverde aparece em mensagens apreendidas pela Polícia Civil do Piauí durante as investigações da Operação Carbono Oculto 86. Segundo a publicação, os diálogos tratam de supostas negociações envolvendo emendas parlamentares.
De acordo com a matéria, Júlio Arcoverde é sócio do senador Ciro Nogueira na empresa JJE Agenciamento de Seguros e Serviços, sediada em Teresina. A companhia atua nos setores de manutenção automotiva e comercialização de peças, conforme registros da Receita Federal.
A Operação Carbono Oculto 86 investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa PCC, com atuação no setor de combustíveis. O caso é um desdobramento de investigações sobre a chamada “máfia dos combustíveis”, envolvendo empresários e movimentações financeiras suspeitas no Piauí.
Segundo o ICL Notícias, Ciro Nogueira e Júlio Arcoverde não são investigados formalmente, mas a Polícia Civil solicitou o envio do caso ao Supremo Tribunal Federal após encontrar menções aos parlamentares nos celulares dos empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, alvos da operação.
A reportagem cita ainda áudios e mensagens em que empresários comentam supostos repasses relacionados ao município de Caxias, no Maranhão. Em um dos trechos divulgados, Danillo afirma: “O problema foi porque o prefeito cobrou os 130. Mesmo a gente já tendo pago para o Júlio, ele cobrou os 130 de novo”. Em seguida, o empresário diz que pretendia “puxar os 130 de volta” em uma futura negociação envolvendo emendas para o município.
Em outro momento, o mesmo interlocutor fala sobre um possível rompimento de acordos envolvendo o parlamentar. “Esse negócio que a gente fez de compromisso com o Júlio aí acabou. Não tem mais. Pode ser uma emenda de R$ 1 trilhão. Não pago nada mais”, diz o trecho citado pelo portal.
A publicação também relaciona o município de Caxias a empresas citadas em outras investigações, incluindo a operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Uma das empresas mencionadas é a CN Motos, ligada ao senador Ciro Nogueira.
Ainda segundo o ICL Notícias, investigadores suspeitam que parte do esquema envolvendo emendas parlamentares possa ter relação com contratos firmados entre a Prefeitura de Caxias e a Distribuidora Mercury Medicamentos, empresa ligada à Pima Energia Participações Ltda., investigada no caso da máfia dos combustíveis. Entre 2024 e 2025, os contratos somaram cerca de R$ 22,9 milhões para fornecimento de medicamentos e material odontológico.
O portal informou que tentou contato com Ciro Nogueira, Júlio Arcoverde, Prefeitura de Caxias e os empresários investigados, mas não obteve resposta. Em nota anterior enviada ao veículo, Júlio Arcoverde afirmou desconhecer “quaisquer menções relacionadas ao seu nome no contexto citado” e ressaltou que não é investigado na operação.